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Envelhecimento fará disparar seguros de vida e de saúde, prevê o FMI

Christine Lagarde. Foto: REUTERS/Leonhard Foeger
Christine Lagarde. Foto: REUTERS/Leonhard Foeger

Procura de produtos de poupança de retorno garantido, de longo prazo, oferecidos por seguradoras vai enfraquecer, estima o Fundo Monetário Internacional.

O ambiente muito prolongado de baixo crescimento e baixas taxas de juro nas chamadas economias avançadas, onde Portugal e a zona euro se incluem, deverá ter moldar de forma permanente o sector financeiro (banco e seguros) com hoje o conhecemos, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI), num dos capítulos analíticos do Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global, divulgado nesta quinta-feira.

O novo estudo da instituição dirigida por Christine Lagarde diz que “os regimes de pensões e os produtos e modelos de negócio das seguradoras de vida provavelmente também mudarão de forma significativa a longo prazo”.

“Nesse cenário, os planos de pensões baseados em benefício definido disponibilizados pelos empregadores tenderiam a tornar-se menos atrativos face aos planos de contribuição definida, que oferecem maior portabilidade”, isto é, que os beneficiários (os trabalhadores) podem levar facilmente consigo de empregador em empregador, à medida que mudam de emprego.

“O aumento da longevidade populacional impulsionaria a procura por seguros de saúde e de cuidados de saúde prolongados”, diz o Fundo.

Aliás, isso já está a acontecer, com cada vez mais seguradoras globais a venderem produtos como apólices de proteção contra os imprevistos e prejuízos associados a doenças graves ou fatais, como é o caso do cancro e de certas doenças do coração, por exemplo,

O FMI conclui ainda que “a procura por produtos de poupança de retorno garantido, de longo prazo, oferecidos pelas seguradoras pode enfraquecer, ao passo que a procura por fundos de índices oferecidos pelas empresas de gestão de ativos provavelmente crescerá”.

Negócio menos apoiado em crédito, mais em comissões

Outra tendência latente detetada pelo FMI é que “o baixo crescimento e o envelhecimento das populações provavelmente diminuirão a procura de crédito por parte das famílias e empresas e aumentarão a procura doméstica por depósitos bancários com liquidez e por serviços de transações”.

“Assim, neste cenário, a banca doméstica nas economias avançadas pode, em geral, evoluir para a prestação de serviços com base em comissões e de serviços utilitários para o público”, repara o Fundo.

O trabalho completo do Global Financial Stability Report, edição da primavera, será aprovado nas reuniões do FMI e do Banco Mundial, que decorrerão daqui a duas semanas, e publicado no dia 19 de abril.

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