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Espanhol Bankinter compra Barclays em Portugal por 100 milhões

A filial Bankinter Consumer Finance pode conceder 500 milhões de euros em crédito nos próximos 5 anos.
A filial Bankinter Consumer Finance pode conceder 500 milhões de euros em crédito nos próximos 5 anos.

O espanhol Bankinter anunciou a compra do negócio de retalho português do britânico Barclays, por cerca de 100 milhões de euros. O negócio de Retail & Wealth Portugal do Barclays inclui os segmentos de banca de retalho, banca privada e banca de empresas.

O Barclays já vinha, há anos, a reestruturar a operação em Portugal, mercado que não considera estratégico, tal como aconteceu em Espanha, onde vendeu a operação de retalho. Agora acontece o mesmo em Portugal, depois de uma reestruturação em que cortou a rede de balcões em mais de 30%, e o número de funcionários em 29%.

Em Portugal o Barclays tem uma carteira de créditos de 4881 milhões de euros, uma rede de 84 balcões, uma equipa de 1000 colaboradores e 185 000 clientes, dos quais 20 300 são empresas.

A operação, que está ainda sujeita a autorizações regulatórias, exclui a compra do negócio da banca de investimento e cartões, bem como um pequeno número de clientes corporativos da entidade, que continuarão a ser geridos pelo Barclays, esclarece ainda o comunicado.

Paralelamente à compra da atividade bancária, a Bankinter Seguros de Vida, empresa controlada em 50% pelo Bankinter e pela Mapfre, acordou com o Barclays a aquisição do seu negócio de seguros de vida e pensões em Portugal, por um valor estimado de 75 milhões de euros. A Sucursal em Portugal do Barclays Vida y Pensiones, que gere mais de mil milhões de euros em ativos, obteve 150 milhões em prémios e 12,7 milhões de euros de lucro líquido em 2014.

Quem é o Bankinter?

Criado pelo Santander e pelo Bank of America em 1965, o Bankinter foi originalmente baptizado como Banco Intercontinental Espanhol, e foi apenas em 1990 que adoptou o nome que agora ostenta. Os acionistas também mudaram: se há meio século eram apenas dois, com partes iguais, hoje o capital está disperso em bolsa.

O maior acionista é a Cartival, com perto de 23%, e logo na segunda posição, com 5,3%, surge alguém que conhece bem a economia portuguesa: Fernando Masaveu Herrero é vogal do conselho geral e de supervisão da EDP por via da participação de 7,19% da Oppidum, detida pela família Masaveu, no capital da elétrica nacional. O restante capital do Bankinter é detido por investidores com participações mais pequenas, incluindo vários fundos de investimento. E essa, embora indireta, não é a única ligação do banco a Portugal. Em 2013, o Credit Agricole – parceiro histórico da família Espírito Santo no BES – anunciou a venda dos restantes 7,6 por cento do capital que detinha na instituição, depois de já ter alienado outros 5,2 por cento.

Esta não é a primeira vez que o Bankinter e o Barclays são, em conjunto, motivo de notícia. Quando no ano passado o banco inglês vendeu a operação em Espanha, o Bankinter equacionou a compra, mas o negócio haveria de ir parar às mãos do Caixabank, principal acionista do BPI.

O Bankinter, que depois do Santander e do BBVA será o terceiro banco espanhol em Portugal, tem hoje perto de 4200 funcionários e mais de 500 agências. E atravessa a fronteira com um cartão de visita positivo: no primeiro semestre do ano teve um resultado líquido de 197 milhões de euros, o que representa um crescimento de 31,6% em relação ao período homólogo. A capitalização bolsista da instituição cotada no principal índice espanhol é, segundo a Bloomberg, de 5,9 mil milhões de euros.

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