Política Monetária

Estudo: Taxas negativas levaram bancos a reduzir em vez de aumentar empréstimos

Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. REUTERS/Francois Lenoir
Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. REUTERS/Francois Lenoir

As taxas de depósito negativas cobradas pelos bancos centrais às instituições financeiras para que estas emprestassem mais dinheiro à economia teve o efeito contrário, revela estudo da Universidade de Bath

Uma das medidas tomadas por muitos bancos centrais para estimular a economia durante a crise financeira internacional, incluindo o Banco Central Europeu (BCE), foi descer a taxa de depósito cobrada aos bancos para valores negativos. Ou seja, as instituições financeiras tiveram de começar a pagar para ter o dinheiro parado no banco central. O objetivo era obrigá-las a emprestar mais dinheiro a empresas e particulares.

Um estudo da Universidade de Bath, no entanto, conclui que esta medida dos bancos centrais foi contraproducente, tendo o resultado acabado por ser precisamente o oposto do pretendido. Segundo o estudo, o custo adicional reduziu as margens dos bancos e a consequência foi uma desaceleração dos empréstimos.

“Este é um bom exemplo de consequências não intencionais”, disse um dos autores do estudo, Ru Xie, citado pela Bloomberg. “A política de taxas de juro negativas contra-atacou, especialmente num ambiente em que os bancos lutam pela rentabilidade”, acrescenta o académico da escola de Gestão daquela universidade britânica.

O primeiro a fazê-lo, explica a Bloomberg, foi o banco central da Suécia, em 2009. Seguiram-se os reguladores financeiros do Japão, Suíça, Dinamarca e o Banco Central Europeu.

O estudo conclui ainda que as taxas negativas também parecem ter retirado eficácia a outras medidas não convencionais dos bancos centrais durante a crise, como os programas de compra de ativos (quantitive easing).

 

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Ilustração: Vítor Higgs

Azeites e vinhos portugueses escapam a castigo de Trump

Ilustração: Vítor Higgs

Azeites e vinhos portugueses escapam a castigo de Trump

(REUTERS/Kevin Coombs)

Acordo para o brexit com pouco impacto para Portugal

Outros conteúdos GMG
Estudo: Taxas negativas levaram bancos a reduzir em vez de aumentar empréstimos