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Banca. Resultados do top 5 deterioram-se em 680 milhões

O ministro das Finanças, Mário Centeno (E), conversa com o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, Fernando Faria de Oliveira (D). Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA
O ministro das Finanças, Mário Centeno (E), conversa com o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, Fernando Faria de Oliveira (D). Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA

Os 5 maiores bancos em Portugal passaram de 215 milhões de lucro para perdas de 463 milhões no semestre, com os rácios de solidez a serem pressionados

Mais de 450 milhões de euros em prejuízos, o aumento em 40% de provisões e imparidades, menos receitas com comissões e serviços e rácios de solidez pressionados e em queda. Estes são aspetos que marcaram os resultados do primeiro semestre dos cinco maiores bancos a operar em Portugal, aqueles que mais influencia têm na evolução da economia.

De forma conjunta, CGD, Novo Banco, BCP, BPI e Santander Totta, que tinham lucrado 215,6 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2015, viram os resultados agravarem-se em quase 680 milhões de euros, caindo para prejuízos de 463 milhões de euros entre janeiro e junho deste ano. Mas estes valores, sendo para o todo, incluem distintos comportamentos individuais: três bancos perderam 765 milhões e outros dois lucraram 302,1 milhões de euros.

Há, portanto, duas realidades no “top 5” da banca presente no país, algo que no ano passado não teria sido possível salientar, pois na primeira metade de 2015 quatro destes cinco bancos fecharam as contas no verde, algo que agora apenas três conseguiram. Houve então um repetente nos prejuízos semestrais, que foi o Novo Banco, cujas perdas até se agravaram dos 251,9 milhões de junho de 2015 para os 362,6 milhões agora reportados.

O banco de transição que resultou do colapso do BES, além de ser o único repetente nos prejuízos, também liderou a tabela das maiores perdas da banca na primeira metade de 2016. Contudo, e como isto dos números dá para vários ângulos, coube a outro banco liderar a tabela da maior deterioração dos resultados. Aqui “ganhou” o Millennium bcp.

Se o Novo Banco agravou os prejuízos em 110 milhões na comparação de junho de 2015 com junho de 2016, já a deterioração dos resultados do BCP atingiu os 438 milhões, passando de lucros de 240,7 milhões para perdas de 197,3 milhões. Só esta quebra nas contas do BCP correspondeu a 65% da quebra total registada no resultado consolidado do top 5 – cuja deterioração chegou a 680 milhões, como atrás referido.

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Uma das principais razões que justifica o deteriorar dos resultados líquidos dos cinco maiores bancos – vistos como um todo – foi o comportamento das provisões e imparidades registadas nos balanços dos mesmos, com bancos a registarem subidas de 112% nesta rubrica – caso do Novo Banco, com 576,7 milhões de provisões e imparidades. Também as contas do BCP foram muito afetadas pelo acelerar do registo de imparidades – mais 47%.

Se na primeira metade de 2015 os cinco maiores bancos tinham contabilizado provisões e imparidades de 1300 milhões de euros, no semestre terminado em junho último este valor saltou 40% para os 1822 milhões de euros. Em termos individuais, nota para as reduções de BPI (-45%) e BST (-18%) nestas rubricas, o que justificou em boa medida a melhoria dos resultados.

Operacionais: Custos, comissões e produto

À quebra nos resultados líquidos, os bancos contrapuseram a evolução positiva que conseguiram ao nível dos resultados operacionais, que subiram em todas as cinco instituições consideradas. Os maiores saltos foram conseguidos pelo Novo Banco, culpa do reduzido ponto de partida de apenas 17 milhões em junho de 2015, e pelo Santander Totta, alimentado positivamente pela absorção do Banif.

A melhoria dos resultados operacionais dos cinco maiores bancos no semestre – de 1088 milhões para 1377 milhões em termos agregados -, deveu-se em parte aos cortes nos custos (-77,7 milhões no total do top 5), ainda que estes tenham aumentado no caso do Totta e igualmente à conta da absorção do banco madeirense, e também no BPI, que enfrentou custos com reformas antecipadas que não registou na primeira metade de 2015.

Além dos cortes na despesa também as melhorias ao nível da margem financeira permitiram aos bancos compensar a queda expressiva no produto bancário que se verificou ao longo do primeiro semestre, que recuou quase 500 milhões de euros de forma agregada. Esta queda foi da responsabilidade da Caixa Geral de Depósitos (-399,5 milhões) e do BCP (-309 milhões), tendo sido contida pelos aumentos conseguidos pelo BPI (+15 milhões), Novo Banco (+31,9 milhões) e BST (+165 milhões) nesta rubrica.

O comportamento das comissões cobradas por este conjunto de cinco bancos foi um dos fatores que dificultou a evolução do produto bancário no primeiro semestre, com este tipo de receitas a subir apenas no Santander Totta, muito graças à absorção do Banif. Em termos globais, o top 5 sofreu um recuo de 6,4% nas receitas com comissões – de 1123,9 milhões para 1051,8 milhões – queda que, descontando o BST/Banif, teria sido de 10%.

Rácios penalizados

Dada a deterioração dos resultados líquidos dos bancos, o aumento das imparidades e das provisões e a complicação do cenário macroeconómico para o setor financeiro, naturalmente que os rácios de solidez das instituições também foram ameaçados ao longo do primeiro semestre do ano. Mas nem todos os bancos os viram deteriorar-se.

O Novo Banco foi a instituição que registou a maior quebra ao nível do Common Equity Tier 1 (CET1) provisório – o rácio apenas terá todas as suas exigências em vigor no início de 2018 -, com um recuo de 1,5 pontos, ficando ainda assim entre os mais altos. Nas quedas, o NB foi seguido pela CGD e pelo BCP, cujos CET1 recuaram 0,8 pontos. Já o BPI e o Totta aumentaram os seus rácios em 0,5 p.p. e 0,4 p.p. respetivamente.

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Em termos de média, o top5 passou de um CET1 de 12,58% no primeiro semestre de 2015 para um de 12,14% no final de junho deste ano.

Créditos concedidos e vencidos

Quanto aos financiamentos, e à exceção do Santander Totta – que no primeiro semestre de 2015 não contava no balanço com os ativos e passivos do Banif -, todos os bancos registaram recuos no crédito bruto a clientes ao longo do semestre, com ritmos de quebra que variaram dos 0,98% da CGD e os 7,49% do Novo Banco.

Na visão agregada, e graças ao efeito Banif, que levou o total de crédito bruto subir 27,5% no BST, o crédito bruto a clientes parece que ficou relativamente estável, já que o top 5 contava com 215,9 mil milhões em junho de 2015 e chegou a junho de 2016 com 216 mil milhões. Contudo, expurgando o Totta das contas, nota-se um recuo de 3,7% no total do crédito bruto – ou menos sete mil milhões de euros.

Ironicamente, a queda no total do crédito ajudou os bancos a manterem o rácio de crédito vencido há mais de 90 dias relativamente controlado. Tirando o aumento de 1,2 pontos registado pelo Novo Banco – de 14,5% para 15,7% -, as restantes instituições permaneceram quase com os mesmos níveis de malparado superior a 90 dias.

Em média, este rácio de crédito vencido passou de 7,49% para 7,68% nos cinco bancos no período em análise, evolução que teria sido de 5,75% para 5,68% caso não contássemos com o Novo Banco – destaque aqui também para o efeito BPI, que com apenas 3,6% de crédito vencido há mais de 90 dias aguentou a média em valores reduzidos.

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