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Ex-vice-governador do BdP não viu “nexo causal” na transição CGD-BCP

O antigo vice-governador do Banco de Portugal (BdP), Pedro Duarte Neves, fala durante a sua audição perante a II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
O antigo vice-governador do Banco de Portugal (BdP), Pedro Duarte Neves, fala durante a sua audição perante a II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Foi a segunda audição de Pedro Duarte Neves na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD.

O ex-vice-governador do Banco de Portugal (BdP) responsável pela supervisão Pedro Duarte Neves afirmou hoje que não viu “nexo causal” na aprovação de créditos por administradores da CGD que depois passaram para o BCP.

“Tenho de lhe dizer com a maior franqueza que não encontrei, não vislumbrei qualquer tipo de nexo causal”, referindo-se à aprovação de financiamento, por parte de administradores da CGD, a uma das partes da ‘guerra’ de poder do BCP e sua posterior mudança para o banco, respondeu Pedro Duarte Neves ao deputado do PCP Paulo Sá, no parlamento.

Durante a sua segunda audição na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD, Pedro Duarte Neves considerou que “foi designada uma administração do BCP que traria condições normais ao banco”.

“Nesse contexto, só fatores supervenientes que se vieram a revelar posteriormente é que levaram àquelas reuniões de dezembro [de 2007]”, referiu o anterior responsável pela supervisão no Banco de Portugal, numa menção às denúncias sobre as ‘offshore’ do BCP.

Sobre esse assunto, e perante a pergunta de Paulo Sá sobre se foram feitas pelo empresário José Berardo, e depois de perguntar ao presidente da comissão se podia “falar sobre denúncias não anónimas”, Pedro Duarte Neves disse que na sua “memória” e “apontamentos”, foram “duas denúncias de alguém que já falámos várias vezes nesta comissão”.

Mais tarde, numa troca de ideias com a deputada do PSD Liliana Silva, o antigo responsável do BdP acabou por admitir com alguma relutância que as denúncias partiram de José Berardo.

De acordo com Pedro Duarte Neves, as denúncias foram remetidas nos dias “28 de novembro e 11 de dezembro de 2007”, mas o ex-vice-governador disse também saber de “denúncias anteriores ligadas a outros aspetos”, que ocorreram “algures no verão”.

As denúncias “eram enviadas ao Banco de Portugal e apareciam na comunicação social pouco tempo depois”.

Pedro Duarte Neves disse que a primeira denúncia não foi “conclusiva”, e que apenas a segunda “leva a concluir pelas infrações graves no BCP que tinham decorrido, a propósito, na primeira metade da década”.

De acordo com o ex-vice-governador, a primeira denúncia foi “grave”, mas a segunda “atribuía um risco grande a que este processo viesse a acabar, com uma probabilidade elevada, de uma forma semelhante àquilo que acabou por acontecer”.

“Era tão importante assim porque nesse ano houve uma instabilidade no BCP”, considerou Pedro Duarte Neves.

O ex-vice-governador lembrou que “em 04 de dezembro [de 2007] aparece uma lista para a comissão executiva [do BCP] em que, na nossa avaliação, havia riscos” relativos aos gestores, em que o BdP tivesse de tirar “ilações dos processos” de avaliação das denúncias.

Porém, “nessa altura não havia matéria para abrirmos um processo de idoneidade”, disse Pedro Duarte Neves.

As denúncias levaram às reuniões de acionistas com o Banco de Portugal em 20 e 21 de dezembro, mencionadas na audição de hoje pelo ex-governador do Banco de Portugal Vítor Constâncio.

Constâncio referiu que “vários acionistas queriam saber se as notícias eram verdade e queriam saber o que poderia acontecer ao banco”.

“Para não prejudicar ninguém decidimos – não fui eu – que era melhor convocar um grupo de acionistas, de acordo com a percentagem de capital”, afirmou.

Vítor Constâncio disse ainda aos acionistas, na reunião, “que se confirmavam coisas graves no BCP”, “que não poderia dizer nada sobre os processos enquanto eles estivessem a decorrer”, e ainda que os acionistas deveriam “estabilizar o banco”.

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