Família Espírito Santo corre o risco de perder o BES

Vítor Bento
Vítor Bento

A família Espírito Santo poderá ficar sem qualquer participação no BES. Caso o Espírito Santo Financial Group (ESFG) - que detém 20,1% do banco - venha a pedir a proteção de credores, essa participação da holding poderá ficar em risco.

Num cenário de gestão controlada, que ganha cada vez mais força,
a participação de 20% deverá ser utilizada para reembolsar os
investidores que têm obrigações do ESFG permutáveis em ações do
BES, segundo avançou o Negócios.

O ESFG, a Espírito Santo Internacional (ESI) e a Rioforte estarão
a preparar um pedido de proteção judicial de credores, que poderá
ser conhecido já nos próximos dias. Trata-se de um mecanismo de
gestão controlada que permite uma reorganização dos ativos das
holdings do Grupo Espírito Santo (GES), sediadas no Luxemburgo.

Se por um lado a saída da família do banco poderá, no curto
prazo, penalizar os títulos, no médio prazo pode tornar o banco
mais apetecível. “No curto prazo o impacto desta possível saída
da família do banco terá consequências negativas, nomeadamente em
bolsa. No entanto, numa perspetiva financeira, esta operação poderá
permitir gerar mais liquidez, ajudar a limpar o banco, e tendo em
conta o preço, tornar o banco mais apetecível a um investidor
estrangeiro que queira entrar no mercado português com uma boa
posição”, explicou ao Dinheiro Vivo um analista que pediu para
não ser citado.

O ESFG detém hoje uma participação menor no BES depois de ter
vendido 4,99% do banco
, revelou ontem a instituição em comunicado
enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A
venda desta posição visa cumprir compromissos financeiros,
nomeadamente ao Nomura. Os 4,99% do capital do BES foram dados como
garantia de um empréstimo que a família contraiu junto do banco
japonês Nomura com o objetivo de financiar a subscrição de novas
ações emitidas durante o aumento de capital de 1045 milhões de
euros realizado em junho.

A notícia surgiu depois de o banco ter confirmado que a nova
equipa de gestão iniciou ontem funções. O BES confirmou, em
comunicado à CMVM, a cooptação de Vítor Bento, José Honório e
João Moreira Rato
para as “funções de presidente e
vice-presidente da Comissão Executiva e administrador financeiro,
respetivamente, em substituição de Ricardo Salgado, José Manuel
Espírito Santo e José Maria Ricciardi, membros da comissão que
haviam renunciado ao mandato”.

O Banco Portugal terá exigido uma atuação rápida depois de, na
semana passada, o BES ter caído 36% em bolsa, elevando a perda nas
últimas seis sessões para 40%.

A ESI, holding do grupo, encontra-se numa situação de falência
técnica, em contrarrelógio para evitar o colapso. Para sobreviver,
o grupo tem em marcha um plano que passa pela venda de ativos (por
exemplo os Hotéis Tivoli, imóveis em Miami, no Brasil) e uma
reestruturação da dívida, superior a sete mil milhões que poderá
penalizar quem financiou o grupo. Ou seja, o próprio BES, que
emprestou 980 milhões ao ESFG e à Rioforte, e os investidores
portugueses e estrangeiros que compraram títulos de dívida da ESI.

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