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Fino sem meios para pagar à CGD e culpa atuação do banco na Cimpor

José Manuel Fino na audição na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República. RODRIGO ANTUNES/LUSA
José Manuel Fino na audição na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República. RODRIGO ANTUNES/LUSA

José Manuel Fino justificou as perdas provocadas pela Investifino na Caixa com a crise nos mercados e decisões do banco na Cimpor.

A crise financeira e a decisão da Caixa Geral de Depósitos não estender uma opção de recompra na Cimpor. Foram os motivos apontados por José Manuel Fino, filho de Manuel Fino, levaram a Investifino a entrar em incumprimento com o banco público. E, afirma, o grupo não tem meios para pagar à Caixa Geral de Depósitos.

A empresa de Manuel Fino provocou a segunda maior perda à Caixa Geral de Depósitos nos grandes créditos analisados pela EY. No final de 2015, o banco público assumiu prejuízos de 100% com o financiamento de 138,3 milhões de euros à empresa de Manuel Fino, segundo uma versão preliminar da auditoria especial.

No entanto, José Manuel Fino acabaria por revelar que estão em dívida cerca de 260 milhões em capital, apesar de ressalvar que é difícil calcular o valor exato. A deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, viria a precisar que o montante em dívida era de 280 milhões.

A Investifino não vai pagar a dívida porque, afirma José Manuel Fino, “todo o património que existia foi dado em garantia desta operação. Não existe mais património”. Respondeu que o Grupo Fino atualmente já “não existe” e que a CGD até teve mais-valias com a venda de alguns dos ativos dados como garantia, como os títulos da Cimpor.

Todo o património que existia foi dado em garantia. Não existe mais património. [O grupo Fino] não existe.

A Investifino teve créditos da Caixa para comprar ações do BCP, Cimpor e Soares da Costa, financiamentos que foram decididos no final de 2004. A estratégia do empresário era de investir em grandes empresas da bolsa com crédito do banco público e utilizar os dividendos para pagar essa dívida, revelou José Manuel Fino esta terça-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão da CGD.

“A política de dividendos da Cimpor e BCP asseguravam os meios necessários para o pagamento da dívida”, disse José Manuel Fino. A Investifino detinha mais de 20% da Cimpor e mais de 2% do banco.

Culpa foi da “crise” e de “decisão inusitada” na Cimpor

O problema naquela estratégia, disse José Manuel Fino, foi a desvalorização causada pela crise financeira de 2008 e a suspensão de dividendos. A Investifino fica sem meios para pagar o empréstimo à CGD e em 2009 há uma reestruturação do empréstimo e das garantias do banco público, que permite reduzir a exposição em 325 milhões de euros.

O banco público fica com um bloco de ações da Cimpor a um preço de 4,75 euros, mas concede à Investifino uma opção de recompra de três anos sobre esses mesmo títulos. E no final do prazo, em 2012, nega a Manuel Fino o pedido de um prolongamento dessa extensão. José Manuel Fino diz que a CGD “de forma imprevista e inusitada decidiu imediatamente vender o bloco de ações” a 5,50 euros. E culpa essa decisão pelo incumprimento da Investifino.

Apesar de o grupo não ter na altura meios financeiros para recomprar aquele bloco de ações, José Manuel Fino critica a decisão do banco público em vender os títulos a um preço que diz ter sido “substancialmente baixo”. E garante que se a CGD tivesse prolongado a opção de recompra, a Investifino teria encontrado um comprador para essa posição a um preço que lhe teria permitido liquidar totalmente o empréstimo ao banco. Mas para isso teria de ter acesso a algum tipo de financiamento temporário de uma entidade financeira.

“Era expectável que CGD mantivesse a opção de recompra e com a capacidade de com este bloco vir a regularizar integralmente a CGD”, disse José Manuel Fino. E aponta que houve alturas, como em janeiro de 2010, que os títulos foram vendidos por 6,50 euros pela Teixeira Duarte. O representante da família Fino atribuiu diretamente essa decisão do banco público às perdas de 260 milhões que provocou à CGD.

O filho de Manuel Fino afirma que a Investifino ficou assim sem ativos e sem meios, previstos nestes contratos de financiamento, para pagar os empréstimos à CGD.

Notícia atualizada às 11:55 com valores em dívida da Investifino

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