Web Summit 2019

Fintech. De bancos no telefone aos negócios milionários que aí vêm 

Margrethe Vestager.
(Filipe Amorim / Global Imagens)
Margrethe Vestager. (Filipe Amorim / Global Imagens)

Os serviços financeiros foram dos últimos a entrar na corrida da digitalização. Com dois anos de atraso, e muito focados no cliente final, os próximos anos na área das fintech poderão ser sinónimo de uma aposta em produtos para empresas.

Anne Boden conhece a banca tradicional por dentro. Três décadas de trabalho na área permitem-lhe dizer com segurança que “o sistema antigo estava estragado”, o que a levou a lançar o seu banco digital, o Starling Bank. “A forma mais fácil de dar aos clientes aquilo que querem foi sair e criar um novo banco. De momento, temos muitos utilizadores. Milhões de pessoas que estão a abraçar a nova tecnologia – as fintech – e a usar os novos bancos e aplicações para gerir a sua vida financeira no dia-a-dia”, disse na sua intervenção na Web Summit.

“Os grandes bancos vão copiar tudo aquilo que estamos a fazer agora dentro de dois anos. Mas a questão é: os bancos estão dois anos atrasados”, assegurou a líder da Starling Bank, que foi eleita pela Forbes como uma das 50 mulheres mais importantes do mundo tecnológico.

Algumas das maiores fintech (empresas tecnológicas de serviços financeiros) do mundo estão avaliadas em milhões de euros. Tim Levene, do Augmentum Fintech, fundo de capital de risco que investe só neste tipo de empresas, acredita que nos próximos anos “vai haver negócios milionários em fintech”. E que o potencial para crescer nesta área é grande.

“Estamos no início do ciclo. Os serviços financeiros foram uma das áreas mais lentas a serem alvo de disrupção. A área mais disruptiva dentro dos serviços financeiros é a dos pagamentos. Se olharmos para esta, a penetração continua a ser na casa de 6% a 7%. E se a área mais disruptiva ainda está assim, há uma grande oportunidade”, diz ao Dinheiro Vivo.

A Fintonic foi a primeira fintech do país vizinho a ter uma licença do Banco de Espanha. A fundadora desta aplicação de finanças pessoais não tem dúvidas: a chave para o futuro está nos marketplace (agregadores de serviços). “Na Fintonic acreditamos muito nos marketplace. Acreditamos em dar novamente o poder aos utilizadores; atuar no mundo financeiro de uma maneira muito fácil de entender, muito transparente, muito confiável”, defende Lupina Iturriaga em entrevista ao Dinheiro Vivo.

“Acredito muito nos marketplaces. E creio que este vai ser o futuro, os clientes vão ter um produto de uma e de outra entidade mas não nos vamos ‘casar’ com nenhuma em específico”, remata.

Por outro lado, e na sua terceira passagem pela Web Summit, a comissária Europeia para a Concorrência, Margareth Vestager, confessou que olha para as fintech com bons olhos. “Vejo muito potencial nas fintech, nos novos serviços de pagamentos, que tornam menos dolorosa a parte de poder enviar dinheiro para os meus filhos”, brinca. Num tom mais sério, aponta: “há muitas coisas boas a dizer sobre as fintech” mas também há que ter “consciência de que pode ser um campo desnivelado”, nomeadamente em relação às regras que a banca tradicional tem de seguir.

“Vemos a importância que os bancos têm para as nossas economias e os bancos devem integrar as funcionalidades boas das fintech mas também pensar naquilo que os faz ser um banco”, acrescentou Vestager.

Há, por outro lado, quem acredite que nos próximos anos, o foco vai estar nos produtos e serviços para empresas (B2B). “Até agora, a verdadeira inovação a que temos assistido nos serviços financeiros passa sobretudo por torná-los mais acessíveis, transparentes e mais facilmente entendidos pelos consumidores. Nos próximos anos, creio, vamos ver muito mais inovação, novos modelos de negócio e novas tecnologias a chegarem aos negócios”, salientou Anders Nicolai Bakke, fundador e CEO da norueguesa JUST, que tem uma plataforma de gestão de risco financeiro e querem nomeadamente fornecer dados dos mercados financeiros de uma forma transparente, ao Dinheiro Vivo.

“Acho que há muitas coisas que podem ser solucionadas com tecnologia, com mais transparência e experiência do utilizador no setor empresarial. As empresas continuam a sofrer por estarem fechadas” em relações antigas. “Vamos ver cada vez mais empresas a serem intermediários entre uma companhia e um banco”.

Tim Levene partilha desta opinião e vai um pouco mais longe. Acredita que nos próximos anos vai existir uma “maior colaboração entre B2B e instituições consolidadas”.

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