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Fintech ditam nova era no setor financeiro

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Fintech ditam nova era no setor financeiro

A Money Conference sobre 'O Futuro do Dinheiro' debateu as oportunidades e desafios que o advento das fintech traz ao setor financeiro

Vão as empresas tecnológicas de serviços financeiros substituir a banca tradicional? A resposta é não e sim. Isto, porque se algumas funções da banca já estão a ser dominadas pelas fintech, há outras funções que ainda pertencem à banca. Por outro lado, os bancos têm ainda muito a dar aos consumidores, aproveitando também as oportunidades que surgem dos avanços tecnológicos e da alteração dos padrões de consumo de produtos e soluções financeiras. Estas são algumas das conclusões da Money Conference, organizada pelo Dinheiro Vivo e pela TSF em parceria com a EY e a Iberinform e que decorreu no dia 14 de dezembro no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

 
O evento contou com a presença da secretária de Estado da Indústria, Ana Lehmann, que quer Portugal na linha da frente na colaboração entre a banca e as fintech. A governante anunciou a criação de um grupo de trabalho do qual farão parte representantes do Banco de Portugal e de empresas do setor.

 
O Banco de Portugal não está à margem do tema. No seu discurso na conferência, Hélder Rosalino, administrador do supervisor financeiro, afirmou que “o Banco de Portugal tem vindo a dedicar uma crescente atenção a este tema, procurando apoiar e dinamizar, ao nível nacional, o debate em torno dos grandes desafios que a inovação digital coloca ao sistema financeiro e à sua regulação”. Lembrou que o regulador “criou um grupo de trabalho interno permanente, multidisciplinar, com o objetivo de estudar a evolução da banca digital e das fintech e de perspetivar, no horizonte temporal 2020, os desafios que se colocam no contexto alargado da sua missão e no quadro das suas responsabilidades de regulação e supervisão”. Assim, referiu que o supervisor vai “intensificar” em 2018 a sua atividade na área das fintech com um conjunto de iniciativas previstas. O Banco de Portugal vai realizar encontros semestrais com os principais operadores e associações nacionais. Vai ainda criar um canal dedicado para estas financeiras tecnológicas interagirem com o Banco de Portugal e realizar reuniões regulares com os principais players deste mercado. Por outro lado, vai também “elaborar um handbook de regulação e supervisão específico para este segmento”.

 
Aposta na digitalização
“O sistema bancário terá de evoluir rapidamente para a adoção, disponibilização e massificação dos pagamentos imediatos, tirando partido das soluções tecnológicas já disponíveis, de modo a fornecer uma alternativa que cubra as alegadas vantagens e o caráter inovador atribuído às moedas virtuais”, afirmou Rosalino.

 
Mas há funções que estão já perdidas para a banca, como a dos pagamentos e transferências, apontou Luís Miguel Vieira, administrador executivo da AFIP-FinTech e InsurTech. “Atingiu-se uma altura crítica de mudança. A função de pagamentos e transferências está praticamente perdida para a indústria fintech”, disse o responsável da associação portuguesa de fintech. Sebastião Lancastre, presidente executivo da Easypay, deu o exemplo de que “é impossível as pequenas e médias empresas implementarem meios de pagamentos eletrónicos através dos bancos”.

 
Para Hélder Rosalino, as futuras inovações nos pagamentos de retalho serão baseadas em pagamentos imediatos, em combinação com o acesso à conta fornecido pela nova regulação comunitária para os pagamentos, a PSD2.

 
Para Miguel Duarte Fernandes, responsável de vendas e desenvolvimento de negócio da PayPal Portugal, as oportunidades vão estar na resposta à pergunta “o que é que o cliente quer e não tem?”.Ana Lehmann alertou que a banca tradicional está também a apostar forte na digitalização.

 
Prova disso, afirmou, são alguns investimentos que foram feitos no país, como o de um banco de investimento francês que instalou um departamento no Porto e que, mais do que financeiros, tem recrutado engenheiros. “Os bancos podem beneficiar da colaboração com as fintech e muitos deles já o estão a fazer”, disse ainda a secretária de Estado na conferência. “A banca vai ser um supermercado de produtos financeiros”, afirmou Duarte Líbano Monteiro, presidente executivo da Ebury Ibéria.
Para Diogo Cunha, presidente executivo do Banco Atlântico Europa, a tecnologia “vem mudar a cultura da banca e centrar a atenção nas necessidades do cliente”.

 
Um alerta feito na conferência está relacionado com a euforia em torno das moedas digitais, como a bitcoin, e a sua forte valorização. Hélder Rosalino alertou para os riscos em investir nestas moedas virtuais.

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