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‘Fintech’ terão que vender, crescer, ou serão compradas

Afonso Eça e José Maria Rego são dois dos três fundadores da Raize.
( Álvaro Isidoro / Global Imagens )
Afonso Eça e José Maria Rego são dois dos três fundadores da Raize. ( Álvaro Isidoro / Global Imagens )

Afonso Eça, co-fundador da Raize, considera que estas são as "três avenidas possíveis" para as fintech

O professor da Nova SBE e co-fundador da fintech portuguesa Raize, Afonso Eça, disse esta quinta-feira numa conferência em Cascais que essas empresas terão que vender produtos, crescer, ou serão compradas por bancos.

As fintech [empresas tecnológicas financeiras] “ou vendem produtos a bancos, ou crescem e o seu escrutínio torna-se maior e ficam a caminho de se tornar um banco, ou serão compradas por um banco”, afirmou hoje Afonso Eça durante o painel ‘Desafios à Regulação e à Estabilidade Financeira’, no âmbito do encontro anual da Associação Europeia de Finanças, que decorre até sábado na Nova SBE, em Cascais, distrito de Lisboa.

Afonso Eça afirmou que estas são as “três avenidas possíveis” para as ‘Fintech’, que também “vão ter de se diversificar e servir os seus clientes de mais formas”.

O académico disse também que hoje em dia as fintech se “aproximam mais de gestoras de ativos do que de intermediárias p2p [‘peer-to-peer’, pessoa a pessoa]”, e que, apesar de já serem um fenómeno global, há ‘campeões nacionais’ do setor em cada país e não uma atividade transnacional.

Já Leonardo Gambacorta, do Banco de Pagamentos Internacionais, defendeu que a entrada das empresas tecnológicas no mercado financeiro, quer sejam fintech ou bigtech (grandes empresas tecnológicas como o Facebook, Google ou Amazon), deve estar sujeita às mesmas regras.

“O primeiro princípio é que para a mesma atividade deve haver a mesma regulação”, disse no painel, e demonstrou preocupação com a “complexidade”, a “tecnologia” e os “aspetos operacionais” que projetos como o da moeda do Facebook, a Libra, poderão trazer “à estabilidade financeira”.

Leonardo Gambacorta questionou “o que aconteceria no caso de uma ultrapassagem [por parte da Libra face às moedas tradicionais] em termos de impacto na economia global”, mencionando também que a política monetária “mudaria completamente”.

Também a vogal do conselho de administração do BCP Maria José Campos afirmou ter “dúvidas” quanto à Libra, mas que todo o ambiente tecnológico que se vive atualmente no setor “é claramente uma oportunidade para os bancos”.

“O modelo que fará sentido será o de que os bancos centrais emitam a moeda digital”, preconizou.

Por fim, Xavier Vives, da IESE, Universidade de Navarra (Espanha), referiu que “as bigtech não têm as desvantagens das fintech'”, mas apenas as vantagens, o que poderá causar “maior disrupção ao negócio bancário tradicional”.

Algumas dessas desvantagens são a “ausência de uma base de clientes leal”, “o acesso limitado a informação soft'”, “a falta de reputação ou de reconhecimento da marca” ou a “falta de experiência regulatória”.

Xavier Vives referiu ainda que “a ideia de alguns bancos é que as grandes empresas tecnológicas sejam a porta de entrada para os clientes”, ao passo que outros “estão a tentar tornar-se essa porta eles mesmos”.

“A tensão está em deixar entrar [as empresas tecnológicas] para que aumente a competitividade e um possível ataque desestabilizador”, concluiu o académico.

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