Fitch: Adiamento do Novo Banco pode minar confiança na banca

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A Fitch alertou hoje que o adiamento da venda do Novo Banco poderá afetar a confiança investidora no sector financeiro português. A agência de rating assume ainda que, em caso de perdas com a venda, os bancos terão de as suportar durante vários anos.

“A venda do Novo Banco, suspensa a 15 de setembro, poderá ser adiada até meados de 2016 e poderá afectar a confiança investidora no ainda fraco, mas estável, sector financeiro português”, começa por avisar a Fitch. A agência de rating salienta que “o Banco de Portugal já indicou que as negociações para a venda serão retomadas quando o BCE publicar os resultados dos testes de stress ao Novo Banco”.

“O adiamento da venda, aliado às incertezas sobre as possíveis implicações para o sistema financeiro, poderá minar o sentimento de confiança investidora e afetar a avaliação da Ftich aos níveis de capital”, salienta.

A Fitch assume que “na eventualidade de elevadas perdas com o Novo Banco, as contribuições dos bancos para cobrir esses prejuízos deverão ser distribuídas durante os próximos anos, mas o regulador ainda não prestou mais esclarecimentos sobre este assunto”. A agência de notação financeira salienta ainda que “a CGD e o BCP são os bancos com os contributos no Fundo de Resolução, apesar de os custos potenciais para cada instituição financeira depender dos seus níveis de capital e rentabilidade”.

A venda do Novo Banco deverá ser feita por um valor inferior aos 4,9 mil milhões de euros que o Fundo de Resolução injectou na instituição, o que significa que os bancos terão de cobrir o diferencial. “Os bancos têm por isso interesse em conseguir uma venda rápida e com um elevado valor”, sentecia a Fitch.

A agência de rating sublinha ainda que o plano original era vender a totalidade do Novo Banco mas, “mais recentemente, as indicações são de que poderão ser feitas várias vendas, com pequenas posições a serem vendidas quando as condições de mercado o permitirem”.

A Fitch alerta ainda que as condições operacionais para os bancos portugueses “continuam difíceis, mas os resultados do primeiro semestre já demonstraram uma tímida recuperação da rentabilidade”, e acrescenta que os testes de stress do BCE, que deverão ser publicados no final de 20165, deverão “esclarecer algumas questões sobre a posição de solvabilidade do Novo Banco”.

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