Agência de Rating

Fitch: Malparado da banca continua a ser um risco em Portugal

Dívida pública elevada é outros dos riscos e se não baixar será muito negativo para efeitos de rating.

O elevado montante de crédito malparado continua a ser um risco importante para a estabilidade financeira de Portugal, de acordo com a Fitch.

Numa nota divulgada aos investidores esta terça-feira, a agência de notação financeira alerta para as fragilidades da banca portuguesa apesar da solvabilidade ter saído reforçada na sequência dos aumentos de capital da CGD e do BCP.

“Atrair mais capital privado” para o mercado do malparado ajudará “a acelerar o processo de limpeza dos balanços” mas poderá exigir “um maior fortalecimento do quadro de insolvência, um processo que provavelmente levará tempo”, refere a Fitch.

A agência norte-americana, que reviu o “outlook” de “estável” para “positivo” no dia 16 de junho mas manteve o rating em “lixo” (BB+), refere que a dívida pública continua muito alta (130,4% do PIB em 2016) mas espera uma melhoria deste indicador nos próximos anos.

“A Fitch espera que a contenção do défice orçamental e a recuperação do crescimento nominal do PIB suportem uma tendência sustentada do rácio da dívida de 125% do PIB no final de 2018 para 111% até ao final de 2026”, escreve a agência, salientando, no entanto, que o falhanço na redução da dívida pública e externa “será negativo” para efeitos do rating.

Outra das fraquezas apontadas no documento tem a ver com um crescimento do PIB potencial inferior dos seus pares, o que reflete “o alto endividamento do setor privado, a fragilidade da banca, que prejudica o investimento”.

No que toca aos pontos fortes, a Fitch aponta o desenvolvimento humano, os indicadores de governança e de rendimento ‘per capita’, que “estão todos acima dos pares com ‘ratings’ ‘BB’ e ‘BBB’ [o primeiro patamar de investimento], o que sublinha a força das instituições do país”.

A agência de notação financeira destaca ainda as reformas estruturais (para a liberalização do mercado de trabalho) durante o programa de ajustamento, considerando que a facilidade em fazer negócios em Portugal tem pontuações também superiores às medianas dos países com notas ‘BB’ e ‘BBB’.

A agência voltará a pronunciar-se sobre a classificação do país em 15 de Dezembro e poderá rever, positivamente, o ‘rating’ atribuído a Portugal, para uma nota do patamar ‘BBB’, o primeiro nível acima de ‘lixo’.

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