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FMI avisa: “Bancos portugueses têm de mudar de estratégia”

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O FMI alerta para os riscos do setor financeiro nacional

O FMI alertou hoje para os elevados riscos do setor financeiro, afirmando que está na hora de o setor bancário português adotar outra estratégia, que deve passar pela reestruturação do crédito malparado.

Para a instituição de Washington, eliminar as “vulnerabilidades da banca” deve ser uma das principais prioridades do país.

Subir Lall, chefe da missão do FMI para Portugal, afirmou esta quinta-feira ao IMF News que “os bancos ainda lutam contra o problema dos empréstimos em incumprimento, principalmente entre as pequenas e médias empresas. Esta questão está obviamente ligada ao crescimento”, alerta o responsável.

Segundo o FMI, devido às dívidas, “as empresas não estão em condições de investir porque os bancos estão relutantes em emprestar-lhes mais dinheiro ou emprestar a outras empresas. Isto contribui para perpetuar um ciclo vicioso de empréstimos em incumprimento, a alavancagem excessiva e o fraco crescimento”.

A instituição recomenda que a banca nacional resolva o problema de forma “decisiva”, livrando-se dos empréstimos mais antigos e autorizando os empréstimos a novas empresas e a novos setores, “que serão os motores do crescimento no futuro”.

A estratégia, considera o FMI, deve passar por uma “abordagem sistémica” ao problema das dívidas das pequenas empresas, ou seja, “um esforço centralizado e com prazos certos para aumentar o capital dos bancos e permitir a eliminação dos empréstimos incobráveis”, reforça a instituição.

“Muitas das dívidas são pequenas, mas todas juntas quebram os balanços dos bancos, enquanto as novas empresas são incapazes de pedir empréstimos para financiar os seus planos de investimento”.

O Fundo avisa ainda que os bancos também precisam de cortar nos custos operacionais e melhorar os lucros, “e alguns têm feito esforços nesse sentido”, considera o FMI.

Um dos maiores problemas das instituições financeiras, avisa a instituição, é o número de agências, “que em alguns casos é provavelmente mais elevado do que o necessário para servir as necessidades da população portuguesa”.

Para os responsáveis do FMI, as decisões dos bancos sobre empréstimos devem ser baseadas unicamente em “critérios comerciais”.

O relatório salienta ainda o mérito das instituições, porque terem encontrado “soluções internas” para resolver os problemas da banca.

Banco de Portugal devia ter tido abordagem mais forte

O FMI também questiona as entidades de supervisão, nomeadamente o Banco de Portugal.

O relatório de avaliação pós-programa de resgate, publicado esta quinta-feira, diz que o “escrutínio mais rigoroso das autoridades de supervisão, seguido de medidas adicionais para fortalecer a supervisão teriam beneficiado o programa” e dá exemplos: “os repetidos incidentes de fraude no sector bancário nacional (BPN, BES) levantam a questão sobre se o Banco de Portugal teve uma abordagem suficientemente forte para monitorizar a governação dos bancos.

As práticas regulatórias atualmente em vigor poderiam ter sido úteis para “revelar a fraqueza na supervisão e propor medidas durante o programa, conclui o FMI.

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