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FMI: Esforços de reestruturação na banca terão de ser reforçados

António Ramalho (Novo Banco), Luís Pereira Coutinho (Banco Postal), Nuno Amado (BCP) e António Vieira Monteiro (Santander Totta). Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA
António Ramalho (Novo Banco), Luís Pereira Coutinho (Banco Postal), Nuno Amado (BCP) e António Vieira Monteiro (Santander Totta). Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA

FMI pede mais medidas de redução de custos à banca e defende que venda do Novo Banco e aumentos de capital da CGD e no BCP reforçam estabilidade

Apesar de reconhecer alguma desalavancagem nos balanços dos bancos presentes em Portugal, o Fundo Monetário Internacional (FMI) considera insuficiente o caminho que o setor financeiro já percorreu até ao momento, com os milhares de despedimentos a serem insuficientes para compensar as perdas na rentabilidade impostas pelos juros reduzidos e baixa qualidade dos ativos dos bancos.

“O sistema bancário português continua a desalavancar num ambiente operacional desafiador. Os bancos continuam com liquidez mas as medidas de corte de custos não compensaram o atraso da rentabilidade provocada pelas reduzidas margens nos juros e a baixa qualidade dos ativos”, refere o FMI no comunicado sobre a quinta avaliação pós-programa de ajustamento português.

Apontando que o processo de dieta dos últimos anos serviu para os bancos reduzirem a exposição aos ativos de maior risco e as suas respetivas exigências de capital, o Fundo Monetário Internacional considera que o esforço dos bancos tem de ser mais intenso daqui em diante.

“A desalavancagem ajudou mas a limpeza do balanço dos bancos continua incompleta. O stock de ativos herdados continua a pesar no sistema bancário e as provisões são insuficientes para cobrir totalmente os créditos não produtivos”, concluíram os técnicos do FMI que estiveram entre 29 de novembro e 7 de dezembro a avaliar a economia portuguesa.

Segundo detalha o FMI no comunicado, a estratégia que o governo está agora a preparar para reforçar o balanço dos bancos “baseia-se em medidas legais, judiciais e de supervisão” mas a real questão está na falta de capital dos bancos “para absorver mais imparidades”.

Daí que o FMI peça uma “atitude mais proativa” a estas instituições no “acelerar” do descartar dos ativos não produtivos, um acelerar que terá de surgir “apoiado num aumento do foco na rentabilidade, sustentado por medidas adicionais de redução de custos e aumentos de eficiência”. Só desta forma “os bancos conseguirão aumentar as provisões para perdas atuais e estimadas”, dizem.

O FMI destaca pela positiva a decisão do governo em aumentar a maturidade do empréstimo concedido ao Fundo de Resolução, “que retirou uma importante incerteza” que pendia sobre o setor financeiro, manifestando a certeza que a venda do Novo Banco e a recapitalização da CGD mas também do Millennium bcp vão reforçar a estabilidade financeira e melhorar o ambiente operacional para todos os bancos.

“Olhando para o futuro, a conclusão do processo de venda do Novo Banco e os aumentos de capital em curso, público e privados, vão reforçar a estabilidade financeira e melhor o ambiente de operação para todos os bancos.”

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