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Como a dona da Conforama causou perdas milionárias aos maiores bancos do mundo

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A Steinhoff, dona da Conforama, viu-se envolvida num escândalo contabilístico. Provocou perdas em grandes bancos e no próprio BCE.

Alguns dos grandes bancos de investimento americanos e o próprio Banco Central Europeu (BCE) sofreram perdas de centenas de milhões de euros devido ao escândalo contabilístico da empresa sul-africana Steinhoff International, que detém a Conforama. A empresa foi forçada a admitir no final de 2017 irregularidades contabilísticas que aconteceram nos últimos anos e que levaram à saída do presidente executivo.

Como consequência, as ações afundaram cerca de 90% e as obrigações da empresa também tiveram quedas acentuadas de valor, criando buracos nas contas de algumas das maiores entidades financeiras do mundo. Os quatro maiores bancos americanos, que reportaram as contas de 2017, sofreram, no total, perdas de mil milhões de dólares em dívida e ações da Steinhoff, segundo um levantamento feito pela Bloomberg. Isto numa altura em que a dona da Conforama, com as contas no vermelho, está à procura de liquidez de emergência.

Alguns analistas citados pela imprensa internacional consideram que a Steinhoff pode vir a ser um novo caso Enron, a gigante elétrica que foi à falência e que levou a acusações criminais contra gestores e auditores. Desde a crise financeira que não havia uma única entidade a provocar perdas tão grandes nos maiores bancos americanos.

O Citigroup e o Bank of America sofreram as perdas mais avultadas, de centenas de milhões de dólares. E o JPMorgan e o Goldman Sachs também não escaparam aos prejuízos causados pela Steinhoff.

BCE vende dívida da Steinhoff com perdas

O escândalo da Steinhoff não afetou apenas grandes bancos de investimento. O próprio BCE não escapou. O banco central compra dívida de empresas ao abrigo do programa alargado de compra de ativos, a arma que tem no terreno para segurar a economia da zona euro. E adquiriu títulos de dívida da subsidiária europeia da Steinhoff.

Mas, após o escândalo, vendeu essas obrigações com um prejuízo potencial de mais de 50%, segundo a Reuters. A instituição liderada por Mario Draghi não revelou qual o valor exato da perdas. Mas tendo em conta a dimensão do programa alargado de compra de ativos, que vai já acima de 2,55 biliões de euros, as perdas não deverão ter grande impacto no balanço do BCE.

Apesar disso, são um alerta do risco que o banco central corre ao comprar de dívidas de empresas. Isto apesar de só poder investir em obrigações de companhias que tenham uma classificação de grau de investimento por parte de uma das quatro agências de notação financeira seguidas pelo BCE.

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