gestão de ativos

Gestora de malparado pede ‘Via Verde’ nos tribunais para casos de incumprimento

Rui Madeira, administrador da Finangeste
Rui Madeira, administrador da Finangeste

A Finangeste gere 1.800 milhões de euros em ativos imobiliários e de crédito malparado. Foi o primeiro banco mau a nascer em Portugal, há 40 anos.

Rui Madeira, administrador da Finangeste, primeiro ‘banco mau’ a ser criado em Portugal, acusa a lentidão da justiça em Portugal de ser “um dos fatores que contribui para o elevado nível de crédito malparado” no país.

“Era bom haver uma ‘Via Verde’ nos tribunais para estes casos”, disse o gestor da Finangeste, em entrevista ao Dinheiro Vivo. “É diferente resolver uma situação em 10 anos, seis anos ou dois anos”, frisou.

A sociedade, que celebra os seus 40 anos de existência, foi o primeiro bad bank a ser criado no país, em 1978, e um dos primeiros do género a surgir na Europa. Em 2015, quando era detida pelo Banco de Portugal e pela generalidade dos bancos do sistema financeiro português, foi vendida aos atuais acionistas privados, um português, Paul Henri Schelfhout, e um irlandês, Cathal Sheely.

A empresa compra os chamados ativos não produtivos aos bancos, desenvolve-os e vende-os, lucrando uma comissão pela operação.

Hoje, gere ativos no total de 1.800 milhões de euros, dos quais 1.200 milhões são relativos a crédito malparado e os restantes 600 milhões de euros a imóveis.

Portugal regista um dos níveis mais elevados de crédito malparado na Europa e para Rui Madeira, só nos próximos dois a três anos, vai ser possível escoar os stocks de dívida em incumprimento.

Rui Madeira alertou ainda que Portugal deve “ter cautela” em criar entraves à entrada de investimento estrangeiro destinado ao setor imobiliário. “Portugal precisa de muitos capitais estrangeiros. Há que preservar (a vinda de capital) e não desmotivar os investidores”, afirmou.

Nos últimos dois anos, a empresa angariou 500 milhões de euros de investimento estrangeiro para projetos imobiliários em Portugal.

O Parlamento aprovou ontem o fim da isenção do imposto sobre transmissões de imóveis (IMT) para os fundos de investimento.

“Espero que não haja mais medidas (de desincentivo)”, alertou o gestor.

Crescer no imobiliário e no malparado

Até ao final deste ano, a Finangeste pretende concluir a compra de carteiras de crédito malparado, depois de este ano ter já executado algumas aquisições, nomeadamente a bancos portugueses, disse Rui Madeira, sem dar mais pormenores.

A empresa está analisar a entrada em outros mercados, incluindo europeus, mas para já não tem nenhuma decisão tomada.

Uma área em Portugal onde pretende continuar a crescer é no imobiliário. Rui Madeira acredita que o mercado vai continuar a registar um crescimento, embora não tão acentuado como o dos últimos anos.

E destacou que o setor em que a Finangeste atua “tem cada vez mais potencial”. “A Finangeste é um projeto único. Não é só nas crises que deve ser usado. É um veículo que complementa os bancos”, frisou.

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