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Governador do Banco de Portugal defende emissão de eurobonds

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal na Assembleia da República. Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens
Carlos Costa, governador do Banco de Portugal na Assembleia da República. Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens

Carlos Costa defende a emissão de eurobonds como uma forma de enfrentar a crise europeia.

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, defende que a situação de emergência que Portugal e vários países europeus estão a atravessar justifica a emissão de eurobonds, os títulos de dívida comunitários. Num texto de opinião publicado esta sexta-feira, dia 20, no “Jornal Económico”, Costa deixa ainda avisos à navegação: sem as medidas corretas, esta crise poderá ser pior do que a de 2008.

“Do lado orçamental, tratando-se de um desafio comum, o financiamento do esforço necessário para a resposta sanitária e para as políticas de apoio à economia em cada um dos estados membros deve, por isso, beneficiar de medidas inovadoras e de caráter excecional, como seja a emissão de títulos de dívida comunitários, as denominadas Eurobonds. Trata-se de uma situação claramente talhada para o financiamento no plano comunitário, na medida em que não existe risco moral e o interesse é comum”, defende o governador, partilhando assim uma ideia que tem sido defendida por vários líderes europeus, originando uma nova palavra: “coronabonds””, escreve o governador do Banco de Portugal.

Carlos Costa refere também que o Estado deve oferecer garantias à banca, para que seja possível assegurar a continuidade de empréstimos às famílias e empresas afetadas por esta crise.

“É absolutamente fundamental que o sistema financeiro, e em particular os bancos, mantenham ativas as linhas de crédito, continuem a aprovar novos empréstimos e estejam disponíveis para aceitar moratórias no pagamento de juros e amortização de capital e para estender os prazos dos créditos concedidos”.

Carlos Costa indica que, “para continuar a fornecer crédito, num contexto em que o risco e a incerteza aumentaram exponencialmente, os bancos necessitam não só de ter a garantia de que não lhes faltará liquidez (o que lhes é dado pelos bancos centrais), como também a garantia de que não serão penalizados em termos de capital e de que o risco assumido se mantém dentro das suas capacidades.”

No mesmo artigo, o governador do BdP considera que é importante ter “musculatura suficiente para atravessar este rio de dificuldades, e retomar a marcha normal”.

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