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CGD encaixa 565 milhões com venda de bancos em Espanha e África do Sul

Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos. Fotografia: ANTÓNIO COTRIM/LUSA
Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos. Fotografia: ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Governo aprovou propostas do Abanca e da Capitec para a compra de 99,79% da CGD em Espanha e na África do Sul.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai encaixar 565 milhões de euros com a venda pelo negócio bancário em Espanha em África do Sul.

O Governo aprovou hoje as propostas do Abanca Corporación Bancaria e da Capitec Bank Limited para a compra de 99,79% da espanhola Banco Caixa Geral e da totalidade da sul-africana Mercantile Bank Holdings Limited à CGD.

A CGD refere, em comunicado, que “a participação na Mercantile Bank Holdings Limited será alienada por um preço global de 3.200 milhões de rands sul-africanos, cerca de 201 milhões de euros [considerando uma taxa de câmbio de 15,9] e a participação no Banco Caixa Geral, S.A. será alienado por um preço global de 364 milhões de euros”.

Explica que estes valores estão sujeitos a ajustamentos decorrentes da variação patrimonial entre a data de referência estabelecida nos acordos de venda e o último dia do segundo mês anterior à respetiva data da sua efetiva alienação.

“Foram aprovadas as resoluções que selecionam as propostas da Abanca Corporación Bancaria e da Capitec Bank Limited, tendo em vista, respetivamente, a aquisição de 99,79% do capital social da sociedade Banco Caixa Geral (Espanha) e a aquisição de 100% do capital social da sociedade Mercantile Bank Holdings Limited (África do Sul), concretizando o processo de alienação da totalidade das ações detidas pela Caixa Geral de Depósitos” (CGD) naquelas empresas, refere o comunicado do Conselho de Ministros.

“Ambas as resoluções dão, assim, resposta a um dos compromissos assumidos pelo Estado no âmbito do processo de recapitalização da CGD”, lê-se no comunicado.

Mais pormenores sobre esta operação “serão comunicados pela Caixa Geral de Depósitos” durante esta tarde, adiantou o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Tiago Antunes, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião.

Os selecionados foram os bancos espanhóis Abanca Corporación Bancaria (presente em Portugal com a marca Abanca, depois de ter comprado a operação do Deutsche Bank), o Banco de Crédito Social Cooperativo (constituído em 2014 por 32 caixas de aforro regionais, as chamadas ‘cajas’) e o fundo de investimento norte-americano Cerberus European Investments.

O Governo tinha selecionado dois bancos espanhóis e um fundo de investimento norte-americano para apresentarem propostas vinculativas para a compra do banco da CGD em Espanha.

No processo de compra do Mercantile Bank, o banco da CGD na África do Sul, o Governo selecionou os bancos sul-africanos Nedbank Group e Capitec Bank, o consórcio composto pela sociedade Arise BV (criada em 2017 por Norfund, FMO e Rabobank) e a empresa sul-africana Grindrod Limited e o consórcio Riqueza, formado pela Public Investment Corporation (em nome do Government Employees Pension Fund, segundo o Governo) e Bayport Financial Services.

A redução da operação da CGD fora de Portugal foi acordada em 2017 com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público.

“Os referidos processos de alienação enquadram-se na execução do plano de capitalização da CGD que prevê, entre outras medidas, a racionalização e maior foco da estrutura internacional do Grupo CGD, desta forma permitindo uma libertação de capital e redução do seu perfil de risco”, explica a CGD no mesmo comunicado.

Abanca paga 364 milhões para reforçar posição no mercado

Segundo um comunicado do Abanca, “o acordo global implica pagar um preço de 364 milhões de euros” pela operação que “representa um importante valor” para o banco. O Abanca sublinha que, com esta aquisição, “complementa a sua rede em Espanha e reforça o seu caráter ibérico”.

O Banco Caixa Geral possui 110 agências em 10 comunidades autónomas de Espanha.

“A compra incrementa em 7.000 milhões de euros o volume de negócios do abanca, permite subir uma posição no ranking de entidades espanholas em termos de património líquido, ascendendo à sétima posição, e dois níveis na classificação do setor por ativos, situando-o no oitavo lugar”, destaca o abanca.

“Isto significa mais um passo no seu processo de crescimento, onde se inserem também a próxima entrada no mercado dos Estados Unidos, com a abertura de uma nova agência em Miami e a integração do Deutsche Bank PCC Portugal, especialmente focado no private banking“, afirma.

Atualizada às 16H55 para incluir comunicado da CGD

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