CGD

Governo não conseguiu cumprir com condições prometidas, diz Domingues

O ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), António Domingues (E), acompanhado pela presidente da Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, Teresa Leal Coelho (D), à chegada para a sua audição perante a Comissão de Orçamento e Finanças. (Foto: TIAGO PETINGA/LUSA)
O ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), António Domingues (E), acompanhado pela presidente da Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, Teresa Leal Coelho (D), à chegada para a sua audição perante a Comissão de Orçamento e Finanças. (Foto: TIAGO PETINGA/LUSA)

Caixa Geral de Depósitos deve cortar 550 trabalhadores por ano até 2020. Domingues aponta que plano prevê lucros já este ano

António Domingues, ex-presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), explicou ontem a sua saída do banco público, admitindo aos deputados presentes na Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República que o Governo se comprometeu com condições que, posteriormente, não conseguiu assegurar.

Em causa a exceção criada para que os gestores da CGD não estivessem ao abrigo das obrigações previstas no estatuto de gestor público, uma exigência de Bruxelas associada ao desejo de desligar o banco do setor público, segundo António Domingues. Contudo, a polémica política que esta exceção gerou tornaram a mesma impossível concretizar.

“Bruxelas sempre disse que a CGD tinha problemas de gestão há cinco anos, que era muito politizada, que o Estado tinha direitos especiais sobre os gestores, por isso foi necessário ser absolutamente rigoroso e mostrar que o que ia acontecer daqui em diante era diferente. Todos estes aspetos fizeram parte de um projeto de negociação, que de outra forma não tinha condições de vingar”, disse.

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A polémica e o debate político que estalaram à volta da exceção criada para os gestores do banco, porém, levou a que “a certa altura, o Governo deixasse de ter condições políticas” para cumprir com as condições que tinha inicialmente oferecido para Domingues formar uma equipa para gerir a CGD. A polémica levou mesmo o próprio gestor a alertar o Governo para a necessidade de ter um “plano b”, já que “o debate, nos termos em que estava a evoluir”, iria obrigar a um recuo.

“Fui convidado e mandatado para convidar um conjunto de pessoas em certas circunstâncias e a certa altura essas alteraram-se”. Assim, logo que começou a ser confrontado com o recuo dos gestores que tinha convidado, “senti que não tinha condições para continuar e como a demissão já não punha em causa a capitalização, foi o que fiz”.

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Mas António Domingues também abordou um dos problemas que identificou nestas regras sobre os gestores públicos: o risco de “ter as declarações de rendimentos e património espalhados nos tabloides” é um travão à capacidade de atrair pessoas qualificadas para a gestão pública, disse.

2200 saídas e milhões de lucro

Os deputados aproveitaram a presença de António Domingues na Assembleia para detalhar um pouco mais os cenários incluídos na recapitalização da CGD, desenhada pelo próprio. O corte de 550 colaboradores por ano e a obtenção de lucros já este ano foram as revelações do ex-CEO do banco.

Segundo António Domingues, e apesar de ter sido desenhado com previsões bastante prudentes e conservadoras, a CGD poderá ambicionar lucros de 200 milhões de euros já este ano e de até 700 milhões em 2020, contribuindo muito para esta inversão a dimensão de prejuízos que serão assumidos nas contas de 2016: o banco vai aproveitar o fecho do exercício do ano passado para limpar cerca de três mil milhões ao balanço.

Em relação aos cortes de pessoal da CGD, o plano de recapitalização prevê uma redução de 2200 colaboradores até 2020, mas sem recurso a rescisões “amigáveis”. Cerca de 600 saídas ocorrerão através de reformas e não renovação de contratos a termo e o resto são pré-reformas, referiu aos deputados.

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