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Governo seleciona investidores para compra da CGD Espanha e África do Sul

Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos. Fotografia: ANTÓNIO COTRIM/LUSA
Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos. Fotografia: ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O Governo selecionou hoje os investidores que podem avançar para a compra das operações da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Espanha e na África do Sul, através da apresentação de propostas vinculativas, segundo o comunicado do Conselho de Ministros.

“O Conselho de Ministros aprovou hoje as resoluções que determinam a seleção dos potenciais investidores admitidos a participar na fase subsequente do processo de alienação de ações detidas pela Caixa Geral de Depósitos”, lê-se na informação divulgada, que acrescenta que os selecionados agora “serão convidados a desenvolver diligências informativas e a proceder à apresentação de propostas vinculativas”.

Em 24 de maio, o Governo tinha aprovado os cadernos de encargos com as condições para a venda dos bancos Banco Caixa Geral, em Espanha, e Mercantile Bank, na África do Sul.

Já na passada terça-feira, 12 de junho, foram conhecidas as condições que o Governo definiu para as vendas, segundo um diploma publicado em Diário da República, ficando a saber-se que será dada preferência a compradores que assegurem a continuidade do relacionamento com a comunidade portuguesa radicada nesses países ou clientes com ligações especiais a Portugal.

Com a aprovação de hoje em Conselho de Ministros, o Governo dá mais um passo para a concretização destas vendas. Contudo, o comunicado dá poucos pormenores sobre os processos em causa, nomeadamente sobre quem são os investidores interessados em ficar com os bancos da CGD em Espanha e África do Sul.

A redução da operação da CGD fora de Portugal – Espanha, África do Sul, França e Brasil – foi acordada em 2017 com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público.

No início de junho, o presidente não executivo da filial em Espanha da CGD, Francisco Cary, disse em entrevista ao jornal espanhol Espansión que o banco deve ser vendido antes do verão e que o Governo já recebeu a lista das “três ou quatro” propostas favoritas, a maioria de bancos espanhóis.

A CGD detém em Espanha uma rede comercial de 110 balcões e mais de 500 trabalhadores.

Sobre a venda do banco na África do Sul, em março de 2017, quando essa intenção foi conhecida, representantes da comunidade portuguesa disseram à Lusa que essa decisão revela que Portugal somente se interessa pelas remessas dos emigrantes. Na África do Sul vivem cerca de 400 mil portugueses e lusodescendentes.

Em 10 de maio, na apresentação dos resultados da CGD relativos ao primeiro trimestre de 2018, o presidente executivo, Paulo Macedo, disse que houve “ofertas competitivas” para a compra dos bancos na África do Sul e Espanha e que havia uma “lista de concorrentes que passarão à fase final” e que caberia ao Governo analisar e passar à fase de aceitar propostas vinculativas”.

Sobre a operação da CGD em França, apesar de ter sido também acordada a sua venda, Paulo Macedo afirmou querer mantê-la e que está a negociar isso com as autoridades europeias, acrescentando que isso só acontecerá se a “operação for sustentável, rentável e solidária” com os esforços feitos pelo grupo.

Em abril deste ano foi aprovada uma “greve ilimitada” na CGD França, que ainda continua, contra a venda da sucursal e as condições de trabalho.

Quanto à alienação do Banco Caixa Geral — Brasil, acordado também entre o Estado português e Bruxelas, Macedo considerou uma “situação mais difícil”, devido à situação política naquele país e por ser uma operação mais pequena.

A Caixa Geral de Depósitos teve lucros 68 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que compara com prejuízos de 38,6 milhões de euros do mesmo período de 2017, sendo que 30 milhões de euros vieram da atividade doméstica e 38 milhões de euros da atividade internacional.

Em 2017, a CGD encerrou as sucursais de Londres, ilhas Caimão, Macau Offshore e Zhuhai (na China), segundo informação do banco.

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