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Greve “ilimitada” na CGD em França começa esta terça-feira

Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos. Fotografia: Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens
Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos. Fotografia: Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens

Os sindicatos franceses Force Ouvrière e CFTC mantêm o apelo para uma greve ilimitada, a partir desta terça-feira, na CGD em França.

Os sindicatos franceses Force Ouvrière e CFTC mantêm o apelo para uma greve ilimitada, a partir desta terça-feira, na Caixa Geral de Depósitos em França, uma decisão a que não se associaram os sindicatos CGT e CFDT.

Esta segunda-feira, os sindicatos reuniram, ao início da tarde, por videoconferência, com o membro do Conselho de Administração da CGD José João Guilherme e com o diretor central de pessoal da Caixa, Jorge Duro, tendo havido um outro encontro, de tarde, com Jorge Duro, que se deslocou a Paris para falar com os representantes dos trabalhadores.

Na quarta-feira, as reivindicações dos sindicatos vão ser apresentadas ao Conselho de Administração da CGD e na sexta-feira vai haver uma nova reunião, em Paris, entre sindicatos e a administração.

No final das reuniões de hoje, o sindicato maioritário Force Ouvrière (FO) e CFTC mantiveram o apelo a uma “greve ilimitada” até serem obtidas respostas sobre a sucursal da CGD em França, que conta 48 agências e mais de 500 trabalhadores.

“Foi convocado um movimento de greve ilimitado até que nos digam, com transparência e com clareza, o que vão fazer de nós. Até agora têm-nos mentido e nós precisamos de saber. A sucursal está prevista para venda, queremos saber o que se vai passar em relação aos trabalhadores e em relação à imensa comunidade portuguesa que vive em França”, disse à Lusa Cristina Semblano, porta-voz da intersindical FO-CFTC.

A representante sindical sublinhou, também, que há reivindicações salariais, nomeadamente no que toca a “atrasos nos aumentos salariais por mérito e carreiras desde 2016”, e “disfuncionamentos da sucursal com impactos na saúde física e mental dos trabalhadores”.

“É também necessário que algo seja feito em relação às condições de trabalho. Nós temos aqui condições de trabalho absolutamente execráveis. As pessoas já não aguentam mais. Temos imensas baixas, muito pessoal com ‘burn-out’, pessoas que se queixam de assédio. Nós não podemos continuar com estas condições de trabalho”, acrescentou.

Já os sindicatos CGT e CFDT querem negociar e decidiram aguardar até à reunião de sexta-feira entre os sindicatos e o membro do Conselho de Administração da CGD, José João Guilherme.

“A partir do momento que o Conselho de Administração quer negociar, nós vamos negociar com eles, ver o resultado. Há uma semana, antes da assembleia do pessoal, já estávamos informados dessa posição do Conselho de Administração. Por causa disso, a CGT não apelou à greve”, afirmou Hélder Gonçalves, delegado sindical da CGT.

A mesma posição é partilhada pelo sindicato CFDT que “desde a primeira reunião intersindical” informou que “não entrava em greve enquanto não houvesse negociações”, explicou à Lusa Carmen Camp, delegada sindical da CFDT.

“Vamos continuar com a mesma posição que é esperar por sexta-feira, que venha cá o dr. Guilherme e depois veremos. Em função das propostas, nesse caso chamamos ou não para a greve”, afirmou a delegada sindical.

Na assembleia-geral dos trabalhadores, realizada na passada quinta-feira, foi votada a greve ilimitada a partir desta terça-feira.

Os trabalhadores da sucursal de França da CGD têm vindo a contestar a degradação das condições laborais e a eventual alienação da operação no país pelo banco público português.

O presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, disse em março, no parlamento, que a sua administração irá “lutar” para manter a operação do banco público em França, considerando que isso é “do interesse da Caixa, em resposta ao Bloco de Esquerda.

A intenção de a CGD sair de França foi noticiada em maio do ano passado.

Fonte oficial do banco público disse então apenas que naquele momento não estava “em curso, em França, um processo de redimensionamento de balcões ou um processo de venda da operação”.

A redução da operação da CGD, incluindo fora de Portugal, foi acordada com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público feita em 2017.

A CGD regressou aos lucros em 2017, com 51,9 milhões de euros positivos, depois de vários anos de prejuízos.

A sucursal de França contribuiu, em 2017, com 49,6 milhões de euros para o resultado líquido corrente da CGD.

Em 2017, a CGD encerrou as sucursais de Londres, ilhas Caimão, Macau Offshore e Zhuhai (na China), segundo informação do banco.

Além de em França, o banco público tem, no exterior, o BNU Macau.

O banco tem ainda operações na África do Sul (banco Mercantile), Brasil (Banco Caixa Geral – Brasil) e Espanha (banco Caixa Geral), que estão em vias de alienação.

As prioridades do banco para já são as vendas das operações no Brasil e em Espanha.

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