Lesados do BES

Grupo de lesados do BES/Novo Banco quer ser ouvido por Marcelo

Cerca de 30 lesados do papel comercial e lesados imigrantes do Banco Espírito Santo (BES) manifestaram-se hoje à frente a uma agência do Novo Banco e do Banco de Portugal, na Avenida dos Aliados, Porto, 27 de março de 2018. MANUEL FERNANDO ARAÙJO/LUSA
Cerca de 30 lesados do papel comercial e lesados imigrantes do Banco Espírito Santo (BES) manifestaram-se hoje à frente a uma agência do Novo Banco e do Banco de Portugal, na Avenida dos Aliados, Porto, 27 de março de 2018. MANUEL FERNANDO ARAÙJO/LUSA

Lesados dizem que não descansarão "enquanto não devolverem a totalidade das suas poupanças".

O grupo de lesados do BES/Novo Banco fez hoje um pedido de audiência para que sejam recebido pelo Presidente da República (PR), Marcelo Rebelo de Sousa, em dia de protesto no Porto.

O grupo encontra-se numa ação de manifestação na Avenida dos Aliados, no Porto, onde tem previsto um novo protesto dia 26 de abril, em frente à sede do Partido Socialista.

O pedido de audiência ao PR surge “no âmbito do processo de tentativa de ressarcimento das aplicações efetuadas aos clientes de retalho pelo BES no Papel Comercial ESI e Rioforte” e tendo em conta que o Tribunal da Relação de Lisboa diz que o Novo Banco deve ser julgado por Papel Comercial vendido pelo Banco Espírito Santo (BES).

O Tribunal da Relação de Guimarães, por sua vez, confirma a condenação do BEST, diz que agiu com “dolo e má fé” porque sabia da situação do GES vendeu Papel Comercial sem as características transmitidas, acrescenta.

Em declarações à Lusa, António Novo, um dos representantes do grupo que participava no protesto do Porto que decorre hoje desde as 11:00 até às 15:00 explicou que não descansarão “enquanto não devolverem a totalidade das suas poupanças”.

“Não aceitamos soluções para as quais não fomos consultados que apenas visam prejudicar as pessoas com mais idade, que se sentem pressionadas a assinar”, disse.

Também no pedido de audiência dirigido ao PR, o grupo refere que se sente “pressionado” a assinar propostas “que perpetuam o dolo e a ofensa” e que não são as transmitidas pela CMVM nem indicadas pela Justiça e estando em causa a legítima confiança dos cidadãos.

Em causa está a solução encontrada para as cerca de 2.000 pessoas que subscreveram papel comercial aos balcões do BES, pensando tratar-se de produtos sem risco.

Esta solução prevê o pagamento de 75% das aplicações até 500 mil euros (com limite de 250 mil euros) e de 50% para valores acima de 500 mil euros, devendo para o efeito os lesados começar a receber nos próximos dias o contrato final de participação no Fundo de Recuperação de Créditos, já registado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e através do qual vão receber parte do dinheiro aplicado.

Através deste fundo deverão vir a ser pagos pelo menos cerca de 280 milhões de euros (de um total de 430 milhões de euros) em três tranches ao longo de 2018, 2019, 2020. O dinheiro para esse pagamento vem do Estado, sob a forma de empréstimo, ou através de empréstimo bancário, mas garantido pelo Estado.

Para o grupo de lesados do papel comercial e lesados emigrantes esta não é a solução efetivamente pretendida, passando antes a resposta pela utilização da provisão de 1.837 milhões de euros existente para os ressarcir na totalidade dos montantes reclamados.

O BES, tal como era conhecido, acabou em 03 de agosto de 2014, quatro dias depois de apresentar um prejuízo semestral histórico de 3,6 mil milhões de euros.

O Banco de Portugal, através de uma medida de resolução, tomou conta da instituição fundada pela família Espírito Santo e anunciou a sua separação, ficando os ativos e passivos de qualidade num ‘banco bom’, denominado Novo Banco, e os passivos e ativos tóxicos no BES, o ‘banco mau’ (‘bad bank’), sem licença bancária.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
O ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, Mário Centeno. 
(ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA)

Défice encolhe para os 576 milhões de euros até agosto

Pedro Marques, ministro do Planeamento e das Infraestruturas. Fotografia: Sara Matos / Global Imagens

“Não há ninguém condenado” no caso da compra da VEM

TDT

Anacom quer ver resolvidos problemas da TDT antes da migração para 5G

Outros conteúdos GMG
Grupo de lesados do BES/Novo Banco quer ser ouvido por Marcelo