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BCP. Nove respostas e um guia para o aumento de capital

O BCP vai fazer um aumento de capital de 1,3 mil milhões de euros, a começar já esta quinta-feira.

O BCP vai avançar com um aumento de capital de 1,33 mil milhões de euros. É o sexto desde 2008, elevando para perto de seis mil milhões de euros o montante pedido aos investidores, e o objetivo é angariar capital para devolver 700 milhões de euros de empréstimo do Estado, reforçar a solidez e para normalizar a atividade, regressar aos lucros e pagar dividendos.

A operação é ambiciosa e a equipa de gestão está em roadshow para convencer os investidores a voltar a apostar no banco. O elevado valor de capital a levantar representa mais de 130% da capitalização bolsista atual do banco, que em menos de uma semana perdeu 200 milhões de euros (chegou a cair mais de 15%) para esta sexta-feira recomeçar a recuperar perante a perspetiva de regresso aos dividendos.

O aumento de capital prevê a emissão de 14 mil milhões de ações a 9,4 cêntimos cada, com reserva de preferência aos atuais acionistas. Parte das ações já têm compradores assegurados: os chineses da Fosun já garantiram a compra de títulos suficientes para elevar a participação de 16,7% para 30% e, para garantir que o aumento de capital é totalmente subscrito, um sindicato bancário tomou firme a aquisição dos títulos que ficarem no mercado, o que custará mais de 35 milhões de euros ao BCP.

E para os pequenos investidores, compensa? Os analistas contactados alertam para a diluição das participações atuais dos investidores mas referem que, no longo prazo, poderá ser atrativo.

Se quiser participar no aumento de capital, há prazos a cumprir e o Dinheiro Vivo deixa-lhe um guia prático para que não se perca na operação. Mas não deixe de consultar o prospeto divulgado pelo banco.

1. Até quando e como posso comprar ações para participar no aumento de capital?

As ações elegíveis para aumento de capital podem ser compradas até 17 de janeiro, terça-feira. A operação arranca dia 19, às 8h30, e termina a 2 de fevereiro, às 15h. As ações transacionadas a partir de dia 17 já não são elegíveis para participar na oferta.

As ordens de subscrição podem ser revogadas até 31 de janeiro mas, a partir de dia 1, já não será possível mudar de ideias. A ordem de compra deve ser dada ao banco, que pode definir uma hora limite diferente da expressa na oferta. Informe-se com o seu gestor de conta.

2. A quantas ações tenho direito e quanto custam?

Os acionistas podem subscrever 1 direito por cada ação que detêm este direito permite ficar com 15 novas ações a 9,4 cêntimos, com arredondamento por defeito. Mas também podem ser pedidas ações adicionais, além das que se já tem direito, em conjunto com o pedido de subscrição. As ações serão, em seguida, alvo de rateio pelos detentores dos direitos de subscrição que tenham pedido para subscrever mais ações do que aquelas a que teriam, proporcionalmente, direito.

A liquidação financeira, ou seja, o pagamento das ações, terá de ser feito a 3 de fevereiro nas ações subscritas de forma proporcional às já detidas. Já a liquidação de ações compradas além destas, decorre a 7 de fevereiro. As ações custam 9,4 cêntimos, o que representa um desconto de 38,6% face ao preço depois do aumento de capital e de 90% face à cotação do dia do anúncio.

A expectativa é que os novos títulos comecem a ser transacionados a 9 de fevereiro.

3. Se já for acionista e não quiser comprar o que é que acontece?

Os acionistas que não exerçam os seus direitos de preferência na subscrição das novas ações vão ver a sua participação no banco diluída. Isto quer dizer que vão ficar com menos ações do BCP depois do aumento de capital, diluindo o investimento já feito e recebendo menos dividendos se e quando o banco os voltar a pagar. A diluição implícita neste aumento de capital é equivalente a 93,75%. Por exemplo, um acionista que tenha uma participação de 1% e não vá ao aumento de capital ficará com 0,0625% após o aumento de capital.

Mesmo que o acionista opte por vender os seus direitos de preferência, o valor da contrapartida recebida poderá não ser suficiente para compensar a diluição da participação, avisa o próprio BCP no prospeto da operação.

Se não quiser reforçar também pode vender os seus direitos no período da operação. Este passo é importante porque se não vender os direitos e também não reforçar vai perder definitivamente essa possibilidade. Se quiser definitivamente sair do capital do BCP bastará vender as ações em mercado antes do aumento de capital.

5. E se não for acionista e quiser comprar?

O aumento de capital é reservado aos acionistas mas ainda pode comprar ações com direito a participar na operação até dia 17. Assim, receberá os direitos e poderá exercê-los quando arrancar a operação. Se não quiser comprar ações, pode participar na operação através da compra de direitos.

Há acionistas que poderão preferir ver a sua participação diluída a voltar a reforçar no banco e colocarão os seus direitos (15 por ação) à venda. Os direitos vão ter uma cotação, tal como as ações. Estes podem ser comprados por outros acionistas ou investidores que ainda não estejam no banco.

6. Quanto vou pagar de comissões?

Depende dos preçários dos bancos. As ordens de compra e venda das ações e dos direitos têm de ser dadas através de um intermediário, que cobra uma comissão. A CMVM tem um simulador onde pode comparar os custos nos diferentes intermediários mas pode compensar manter-se no seu banco se já tiver ações nessa instituição ou escolher intermediários só com atividade online, que costumam ser mais baratos.

7. Vou perder dinheiro com o aumento de capital?

Depende. A regra dos aumentos de capital é de que as operações levam normalmente a uma perda de valor para quem detém ações. E esta operação representa, por um lado, uma diluição de mais de 93% e o preço já tem um desconto de 38,6% face à cotação depois do aumento de capital. Além disso, os direitos terão um preço diferente do das ações, o que significa que só depois da operação é possível fazer efetivamente as contas. Contudo, o que acontecerá depois da operação é incerto. Os títulos podem valorizar (compensando o investimento) ou desvalorizar (levando o investidor a perder dinheiro). A expectativa do banco é avançar, provavelmente em 2019, com a distribuição de dividendos e se o investidor quiser manter a sua participação até essa altura poderá recuperar o investimento feito.

8. Vou voltar a receber dividendos?

A expectativa do banco é voltar a pagar dividendos, provavelmente mais de 40% dos resultados, e a melhor estimativa é que isso aconteça sobre os resultados de 2018, ou seja, a pagar em 2019. Mas a distribuição de dividendos está sujeita a muitas variáveis, nomeadamente no regresso do banco aos lucros, na normalização da atividade e no cumprimento dos rácios exigidos pelos reguladores. Entre estas variáveis, muitas não dependem sequer do próprio banco – crescimento económico, por exemplo.

9. Para onde vai o dinheiro do aumento de capital?

O BCP já definiu o destino dos 1,3 mil milhões de euros que vai captar ao mercado: 700 milhões irão ser utilizados para pagar o empréstimo do Estado (CoCos), encerrando assim quatro anos de limitações e de risco de não devolução.

O BCE já aprovou esta devolução e os CoCos serão pagos até 10 dias úteis depois da conclusão da operação. A segunda parte do capital será usada para a normalização da operação do banco, reforçando os rácios de solidez e ajudando a cumprir o plano estratégico o que, se tudo correr como esperado, levará a um regresso aos lucros no médio prazo.

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