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Há menos famílias com dívidas acima de 100 mil euros

Lisboa

Desde 2011 houve mais de 200 mil famílias a baixar o valor em dívida aos bancos para menos de cem mil euros. Mas o endividamento pode voltar a subir.

Há cada vez mais casas compradas e os preços não param de subir. Mas o número de famílias que devem mais de cem mil euros ao banco continua a descer. Só na primeira metade do ano houve menos 1700 devedores com créditos acima daquele valor. E desde a chegada da troika, em 2011, há menos 200 mil famílias com empréstimos acima deste valor, segundo cálculos do Dinheiro Vivo baseados em dados do Banco de Portugal.

É mais um indício de que a animação no mercado de habitação está a ser provocada mais por influência do apetite de investidores e do turismo do que pela abertura da torneira de crédito por parte da banca. Nesta semana, o Banco de Portugal revelou que apenas cerca de um terço do total do valor das casas compradas em Portugal tinha sido financiado pela banca. O peso do crédito no valor das compras caiu para metade desde 2010.

Filipe Garcia observa que “o perfil atual dos compradores de imobiliário parece diferente do que existia há dez anos ou mais”. O economista da IMF – Informação de Mercados Financeiros afirma que “nesta fase, assiste-se à procura de imobiliário predominantemente para investimento, seja por nacionais seja por estrangeiros”.

As regiões de Lisboa e do Algarve são aquelas onde há mais compra de casas sem recurso a crédito. O Banco de Portugal explicou, nesta semana, esse fator com “o investimento estrangeiro ou a compra de imóveis por parte de empresas”. Em junho tinha já defendido que os sinais de “sobrevalorização” nos preços das casas eram também um reflexo do crescimento do turismo.

gráfico-créditoPôr o dinheiro a render
Os indícios vindos dos dados do crédito e das transações de casas são de que se compra mais a pronto e para obter retorno. É mais para conseguir pôr o dinheiro a render do que propriamente para encontrar uma casa onde morar.

Filipe Garcia nota que “o contexto de juros muito baixos para aplicações, alguma desconfiança em relação à banca, a atratividade relativa de preços das casas face a outros países e o boom turístico explicam essa maior procura”.

Com as taxas de juro em 0% ou em valores negativos, devido às políticas do Banco Central Europeu para reanimar a economia, começaram a faltar aplicações financeiras que garantissem retorno aos investidores. Os depósitos e a dívida de entidades seguras têm retornos praticamente nulos e os aforradores viraram-se para o imobiliário.

O economista salienta que “esse investimento tem tido sobretudo como objetivo a colocação nos mercados turístico e de arrendamento”. Admite que “também há o crédito à habitação tradicional, para aquisição de casa própria”. Mas acredita que “a predominância da procura para investimento explica porque é que a proporção de crédito face ao total das operações diminuiu”.

Devedores vão aumentar
Os bancos até têm acelerado no novo crédito às famílias, o que levou o Banco de Portugal a recomendar limites. Mas apesar da abertura da torneira dos empréstimos, até há poucos meses o ritmo de amortizações era superior ao do novo crédito concedido. Isso pode ajudar a explicar a descida no número de famílias que devem mais de cem mil euros.

Mas Filipe Garcia salienta que “o ritmo dessa diminuição é cada vez menor e, provavelmente, já teremos um aumento mensal do número de famílias com créditos acima de cem mil euros antes do final do ano”.

 

 

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