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Horta Osório: Com défices equilibrados, chegou hora do país afirmar recuperação

António Horta Osório, banqueiro, fotografado na sede da GlobalMedia Group, antes duma entrevista DV/TSF.

( Gustavo Bom / Global Imagens )
António Horta Osório, banqueiro, fotografado na sede da GlobalMedia Group, antes duma entrevista DV/TSF. ( Gustavo Bom / Global Imagens )

CEO do Lloyds defende agilização da venda de crédito malparado a empresas especializadas para libertar bancos

António Horta Osório, CEO do Lloyds Banking Group, defende que chegou a hora do país afirmar de vez a sua recuperação, dadas as boas condições externas que enquadram a economia mas também fruto do esforço de ajustamento dos últimos anos.

“O país registou progressos notáveis, tem o défice externo equilibrado e o défice público relativamente equilibrado. Mas ainda precisa de reduzir a dívida, com as apostas certas, e tomando decisões a nível do futuro da população”, apontou no seu discurso durante um almoço promovido pela Câmara de Comércio de Lisboa, esta tarde.

O peso da dívida, não só pública mas a total do país, deve ser o grande foco para os próximos anos. Só assim se resolve o maior obstáculo ao crescimento, defendeu.

“Devíamos ter um plano, de toda a sociedade, a médio-prazo para baixar o endividamento. Sem isso, qualquer sobressalto coloca-nos em posição muito difícil, que os portugueses não vão querer voltar a passar.” E este plano é especialmente urgente já que a hora da recuperar é agora, apontou.

Além dos défices equilibrados, a própria conjuntura internacional, de crescimento global um pouco mais acelerado que nos últimos anos, vai favorecer “uma pequena economia aberta como a portuguesa”.

“A economia global vai crescer mais nos próximos anos, a conjuntura é muito favorável”, reforçou. “Mas o problema da dívida atrasa-nos. A conjuntura vai continuar favorável nos próximos anos, temos que aproveitar isto para por a casa em ordem nos próximos 3/5 anos e fazer as reformas e as políticas necessárias para subir o nível de vida do país.”

E não se pense que a dívida só se resolve por renegociações ou reestruturações da mesma. Nada disso. Os irlandeses mostraram precisamente o contrário, destacou Horta Osório.

“A Irlanda chegou a níveis de dívida, pública e total, mais elevados que Portugal durante a crise. E conseguiu reduzi-los de forma rápida: cortou 20 pontos à dívida total e baixou a dívida pública de 120% para 80%”, lembrou o banqueiro. “É preciso um esforço de todos para se viver de acordo com as possibilidades. Desde que haja vontade, é possível melhorar de uma posição de dívida elevada.”

Para que tal evolução seja mais célere também o setor bancário deve estar mais saudável. E tal como o país, também aqui há um caminho a ser feito mas que é preciso aprofundar, nomeadamente no que toca ao malparado.

“O setor português teve melhorias importantes, com o aumento de capital do BCP e da CGD, e a tomada do BPI pelo CaixaBank”, destacou. “Do ponto de vista da solvência melhorou muito mas falta tratar do malparado.” E defendeu a agilização da venda destes créditos a empresas especializadas.

“Os NPL [non performing loans, ou créditos não produtivos] devem ser reciclados, vendidos a quem sabe gerir deles”, libertando recursos dos bancos para estes emprestarem a quem precisa e tem projetos merecedores, defendeu.

Em termos de política de médio-prazo, Horta Osório recomendou que alem da redução da dívida, Portugal deve continuar a apostar na educação e na atração de investimento estrangeiro mas sem esquecer a problemática da população. Se a mundial está a crescer, a portuguesa está a cair e isso é mau para o país.

“Dentro de alguns anos teremos dois reformados por cada três trabalhadores e isso tem enorme impacto ao nível de custos de saúde e segurança social”, disse. Defende por isso uma política ativa de atração de imigrantes, “à imagem do Canadá ou Singapura”.

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