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João Salgueiro explica-se: “Não é tudo resgates”

João Salgueiro. Fotografia: Global Imagens
João Salgueiro. Fotografia: Global Imagens

Ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos falou, em entrevista à Antena 1 sobre mais três bancos que poderiam estar na linha de resgate.

O economista e ex-ministro das Finanças explica ao Dinheiro Vivo o que quis dizer com estas suas declarações à Antena 1: “O Banif é o primeiro alerta para nós mas como há outros bancos na linha para serem resgatados… O caso do Novo Banco? O caso do Novo Banco… pode ser o caso do BCP, pode ser o caso da Caixa, pode ser o caso de um banco mais modesto que pode ficar caríssimo também.”

As declarações de João Salgueiro, ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos e ex-ministro das Finanças, em entrevista à Antena 1, a Maria Flor Pedroso, e divulgada esta manhã, provocaram, dada a sua gravidade, algum desconforto no mercado.

João Salgueiro. “Pode haver mais três bancos na linha de resgate”

Ao Dinheiro Vivo, João Salgueiro esclarece que “os três casos são diferentes, não são todos um resgate”. “São três bancos em linha para acontecer o mesmo que ao Banif”, que foi intervencionado, diz.

O ex-presidente da APB explica que as declarações foram dadas no âmbito de uma entrevista sobre o manifesto dos 51 sobre a banca portuguesa, do qual Salgueiro é signatário.

As declarações, diz, referiam-se ao caso da intervenção ao Banif. “Não vai acontecer à Caixa o mesmo que aconteceu ao Banif”, diz.

Na entrevista diz que “achamos que a maneira como foi negociado o fim do Banif foi uma vergonha e não pode ser repetido. Fica caríssimo para os portugueses. Foi muito obscura a maneira como foi negociado”. Ao Dinheiro Vivo, Salgueiro esclarece que “em Bruxelas dizem que a decisão foi tomada por Portugal. Portugal diz que foi Bruxelas. É lamentável que isto se passe sem que ninguém assuma responsabilidade”.

Salgueiro defende que “não é possível voltar a repetir este erro” e é nesse âmbito que refere os três bancos “em linha para serem resgatados”, como diz na entrevista à Antena 1. Ao Dinheiro Vivo, esclarece que “não é tudo resgates”. E explica cada caso.

“No caso da Caixa Geral de Depósitos pode ser preciso um aumento de capital. Capitalizar a Caixa é uma obrigação mas não se pode discriminar o banco em função do seu acionista [o Estado]”. No limite, Bruxelas pode dizer que um aumento de capital “confere um auxílio de Estado”, como aconteceu com o Banif.

No caso do Novo Banco, “é preciso tempo”, dando o exemplo da solução encontrada no britânico Lloyds e recusando a ideia de que o banco, que já foi alvo de uma medida de resolução, deva ser vendido à pressa. Aliás, o manifesto sobre a banca defende mesmo que a venda do Novo Banco só deve acontecer em 2019.

Já sobre o BCP, João Salgueiro diz que este é “um caso que estaria interessado em aumentar de dimensão”, embora esteja com limitações impostas por Bruxelas durante dois anos devido aos CoCo’s.

“É preciso levantar o ‘waiver'”, diz João Salgueiro, para que o BCP pode ter mais autonomia nas suas decisões. O presidente do BCP, Nuno Amado, já admitiu que vai olhar para o ‘dossier’ do Novo Banco se Bruxelas autorizar. Já em relação aos CoCo’s o banco tenciona devolver 200 a 250 milhões dos 750 milhões em falta nas próximas semanas.

O ex-ministro das Finanças não quis dizer a que banco se referia quando falava no “banco mais modesto” mas deu o exemplo de alguns bancos “estrangeiros que estão a sair de Portugal”, como o Barclays, que vendeu a rede ao Bankinter.

João Salgueiro frisa que “o que se passou no Banif é pouco claro, ninguém assume responsabilidade da decisão final e é importante que não aconteça o mesmo em mais bancos”.

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