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Lone Star diz que não vende Novo Banco antes de 2021

REUTERS/Rafael Marchante/File Photo
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Dona do Novo banco quer primeiro concluir a reestruturação em curso, o que deverá demorar entre 12 e 18 meses. Fusão com BCP é cenário mais apontado.

O Novo Banco não vai ser vendido no curto prazo. A garantia é dada pela Lone Star, em declarações ao Dinheiro Vivo. A empresa norte-americana, que detém 75% do Novo Banco, diz que quer terminar a reestruturação do banco, o que deverá demorar entre 12 e 18 meses.
Esta garantia surge numa altura em que sobem de tom os rumores e especulação em torno da venda do Novo Banco, à medida que se aproxima a data em que a Lone Star fica livre para se desfazer da sua posição. Quando comprou o banco, em outubro de 2017, ficou acordado um período de três anos de inibição de venda da participação de 75%. Os restantes 25% são detidos pelo Fundo de Resolução bancário.

“A Lone Star não tem planos para vender a posição no Novo Banco no curto prazo”, assegurou a norte-americana em resposta a questões do Dinheiro Vivo. “Estamos confiantes de que a fase de reestruturação do banco poderá ser concluída nos próximos 12 a 18 meses, aproveitando as condições atraentes do mercado para acabar com o restante legado do BES”, adiantou. A Lone Star salientou que “o banco recorrente é viável e está a crescer, e seus resultados positivos têm conseguido absorver parte das perdas do legado do BES”. “Até ao momento, o banco cumpriu os planos acordados com a Comissão Europeia e Portugal no momento da aquisição pela Lone Star e permaneceu dentro das necessidades de capital esperadas relacionadas com o legado do BES”, destacou.

O Novo Banco foi criado em agosto de 2014 para ficar com os ativos bons do Banco Espírito Santo (BES), que foi alvo de uma medida de resolução. O banco bom foi vendido à Lone Star mediante um acordo com o Estado português e com Bruxelas que inclui um plano de reestruturação e uma recapitalização de até 3,89 mil milhões de euros até 2026. Este é o montante que o Estado pode ter de injetar no Novo Banco, na forma de empréstimos ao Fundo de Resolução.
O Novo Banco viu os seus prejuízos aumentarem 46% para 572,3 milhões de euros nos nove meses de 2019. Mas teve um lucro na atividade recorrente. “Estamos impressionados com o que a equipa de gestão e os funcionários do banco, liderados por António Ramalho e Mark Bourke, alcançaram”, frisou a norte-americana.

Consolidação no horizonte
Fontes do setor e analistas antecipam a futura consolidação do Novo Banco com um outro banco em Portugal. “O primeiro cenário é o de uma fusão com um banco nacional”, disse Pedro Lino, economista da Dif Broker e da Optimize. O cenário mais apontado é o de uma fusão com o Millennium bcp. Mas o movimento de consolidação não é esperado em 2020. Tanto o BCP como o Novo Banco têm de acabar de arrumar a casa antes de avançarem para uma união, segundo fontes do setor e analistas.
A eventual fusão entre os dois bancos, que chegou a ser um cenário apontado antes da venda do Novo Banco à Lone Star, voltou a ser uma possibilidade, segundo a TVI. Neste cenário, poderia ser antecipado o montante que resta injetar no Novo Banco. O Expresso noticiou em novembro que o Estado poderia injetar neste ano, de uma vez só, o restante montante previsto até 2026. Uma operação que o banco veria com bons olhos, segundo o jornal.

O BCP escusou-se a comentar a possibilidade de uma fusão com o Novo Banco. Em novembro, Miguel Maya, presidente executivo do BCP, afastou novas aquisições depois da compra recente que o banco fez na Polónia. Analistas não esperam, para já, uma operação de concentração envolvendo o BCP. “A fusão do Novo Banco com o BCP faz todo o sentido, talvez com a aplicação de remédios (pela Autoridade da Concorrência), mas não no curto prazo”, disse uma analista de um banco de investimentos estrangeiro, que pediu para não ser nomeada. “Considerando a posição de capital do BCP e os ventos regulatórios ainda no horizonte, não penso que fusões e aquisições estejam na mesa”, afirmou Puja Karia, analista da CreditSights. “É possível que o BCP explore mais vínculos nas regiões em que atua – por exemplo, Angola e Moçambique -, mas, fora isso, não vejo muita margem nesta fase”, salientou.
Outros bancos estarão atentos aos movimentos em torno do Novo Banco. Seria uma oportunidade para crescer em Portugal (ver abaixo). Também atentos estão os lesados do BES e do Novo Banco, incluindo os institucionais estrangeiros.

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