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Lucro da CGD aumenta 85% para 126 milhões

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O banco liderado por Paulo Macedo reportou uma melhoria do resultado nos primeiros três meses de 2019.

A Caixa Geral de Depósitos lucrou 126,1 milhões de euros nos primeiros três meses do ano, uma subida de 85% em relação ao mesmo período de 2018. A melhorar as contas do banco público estiveram a libertação de provisões e imparidades, o corte de custos e a maior faturação com comissões.

“O resultado líquido consolidado atingiu no primeiro trimestre 126,1 milhões de euros (mais 58 milhões que em março de 2018, um crescimento de 85%”, indicou o banco num comunicado divulgado esta quinta-feira.

A evolução é explicada pela evolução das provisões e imparidades. Nos primeiros três meses do ano passado, a CGD registou custos deste tipo no valor de 21,9 milhões. No primeiro trimestre de 2019 em vez de assumir custos libertou 53,5 milhões em provisões e imparidades.

O banco público reportou uma descida de 3,8% da margem financeira alargada. Os gestores justificaram a descida da margem financeira na atividade doméstica com a conjuntura das taxas de juro.

A diferença entre os juros que cobra e os que paga foi de 287,3 milhões, uma de descida de mais de 11 milhões face ao alcançado no mesmo período do ano anterior.

No entanto, o corte de custos e a subida de comissões ajudaram os números da Caixa. Os custos de estrutura caíram mais de 5% para 277,7 milhões de euros (uma descida de 15,5 milhões). Os gastos com pessoal desceram quase 7% para 188,5 milhões.

Já os rendimentos de serviços e comissões aumentaram mais de 4% para 148,9 milhões, uma subida de seis milhões de euros. As comissões cobradas são ainda, no entanto, abaixo às registadas no período homólogo de 2015, detalharam os administradores.

Encargos “sem precedentes” justificam comissões

A contribuir para o resultado líquido estiveram ainda os custos regulatórios e a venda de imóveis.

A venda do imóvel da Rua do Ouro teve um impacto positivo de 36 milhões no resultado líquido. Sem estes efeitos, declarou o administrador José Brito durante a apresentação dos resultados, o lucro líquido do banco teria sido de 149 milhões de euros.

Já os custos regulatórios, que incluem as contribuições para o setor bancário, para o fundo de garantia de depósitos ou para o fundo de resolução, tiveram um impacto negativo de 60 milhões de euros para o resultado do primeiro trimestre.

Paulo Macedo voltou a deixar críticas ao “tipo de encargo que isto representa para a banca”. Desde a recapitalização da Caixa, em 2017, o banco já pagou 240 milhões em obrigações de regulação.

“A generalidade destes encargos é calculada sobre os depósitos. Não se pode dizer que não deve haver comissões sobre contas à ordem porque elas não têm encargos. Neste momento têm três tipos de encargos: o encargo da estrutura dos bancos, este encargo com os custos regulatórios, que tem um valor sem precedentes, e o encargo, também sem precedentes, do excesso de liquidez pago ao BCE. Nós queremos continuar a ter os depósitos dos portugueses, mas há encargos que não têm comparação com o que existia na banca há três, cinco ou sete anos”.

Luxemburgo fecha nos próximos meses

A atividade internacional da Caixa contribuiu para o resultado líquido com 40 milhões de euros. Entretanto foi iniciado o processo de encerramento da sucursal da Caixa no Luxemburgo, que deverá ficar fechada nos próximos meses, segundo o mesmo gestor.

No crédito à habitação a Caixa também registou um forte impulso no primeiro trimestre, com um aumento das novas operações de 58%. Segundo Paulo Macedo, este valor ficou em linha com o último trimestre do ano passado.

O presidente do banco também sublinhou que a CGD não está a sentir o efeito da procura elevada no imobiliário e que sentiu uma retração quando entraram em vigor as regras mais apertadas do Banco de Portugal para a concessão de crédito, em julho do ano passado.

Na terça-feira, no relatório e contas de 2018, já tinha sido anunciado que a Caixa vai pagar 200 milhões de euros de dividendos ao Estado, algo que, segundo Macedo, é “necessário para a normalização da atividade do banco”.

Quanto a saídas de colaboradores o presidente adiantou que “não há novidades nesse capítulo”, já que as saídas previstas estão já inscritas no plano estratégico. Este ano deverão abandonar o banco 570 funcionários, sendo que 380 saem por reforma ou pré-reforma.

Os restantes são rescisões por mútuo acordo ou pela não renovação de contratos a termo.

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