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Maiores bancos mais que triplicam lucros

O BCP, liderado por Miguel Maya, apresentou esta quinta-feira uma subida de 93% do lucro para 257,5 milhões. Fotografia: António Pedro Santos /LUSA
O BCP, liderado por Miguel Maya, apresentou esta quinta-feira uma subida de 93% do lucro para 257,5 milhões. Fotografia: António Pedro Santos /LUSA

Mais comissões, menos provisões e juros mais baixos nos depósitos ajudaram os bancos a subir os lucros para mais de 1,5 mil milhões.

2017 foi o ano de regresso aos resultados positivos por parte da banca portuguesa. Este ano é o da multiplicação dos lucros. BCP, BPI, Caixa Geral de Depósitos e Santander Totta lucraram, no seu conjunto, 1,54 mil milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. É mais do triplo dos 441 milhões obtidos no mesmo período de 2017.

A puxar pelos lucros esteve a evolução da atividade em Portugal, que tem vindo a ganhar peso nos resultados após os anos da crise. E alguns dos bancos que mais dinheiro pediram aos acionistas durante a crise indicam estar já em condições de recomeçar a pagar dividendos.

Os lucros gerados na atividade doméstica mais que quintuplicaram, passando de 181,8 milhões para mais de mil milhões de euros até setembro deste ano. Essa melhoria tem sido conseguida, regra geral, com a redução das imparidades e provisões, com a subida das comissões e com a melhoria da margem financeira.

Entre os maiores bancos falta ainda conhecer os números no Novo Banco em setembro. Esta entidade tem destoado do regresso à rentabilidade. Teve perdas de 231 milhões no primeiro semestre.

Mais comissões e menos juros nos depósitos

Na atividade doméstica, os bancos faturaram mais 82 milhões de euros em comissões, que representaram mais de 1,12 mil milhões de receitas. Além das subidas dos preçários os bancos estão a beneficiar de uma maior atividade comercial. O presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro, explicou que o banco teve de aumentar algumas comissões para fazer “o alinhamento com as práticas recentes de bancos concorrentes”.

Já a margem financeira (a diferença do valor a que os bancos emprestam e o preço a que se financiam) aumentou mais de 170 milhões de euros, titalizando mais de 2,9 mil milhões. Apesar das taxas de juro ainda estarem em valores historicamente baixos, os bancos estão a beneficiar de custos de financiamento mais baixos.

O BCP, que apresentou resultados esta quinta-feira, explicou a melhoria desse indicador com “a redução do custo do funding, nomeadamente da diminuição do custo da dívida emitida e da tendência de decréscimo da remuneração dos depósitos a prazo, não obstante a redução do rendimento gerado pelas carteiras de crédito e de títulos”.

Segundo os dados mais recentes do Banco de Portugal, a taxa média dos depósitos a particulares era de 0,13% em agosto, quase metade dos 0,25% oferecidos em setembro do ano passado. Além do menor custo que os bancos têm com depósitos, alguns bancos estão também a colher os frutos do aumento do crédito, casos do Santander Totta e do BPI que viram a subida da carteira de empréstimos ajudar a margem financeira.

Regresso aos dividendos

A tendência dos lucros dos bancos portugueses está a confirmar-se. E CGD e BCP preparam-se para recomeçar a remunerar os acionistas, depois dos grandes aumentos de capital que tiveram de ser feitos para tapar as perdas gigantes sofridas durante a crise.

No caso do banco público, o presidente executivo, Paulo Macedo, considera ser plausível que se consiga pagar 200 milhões de dividendos ao Estado no próximo ano, número que tinha sido indicado pelo Secretário de Estado Adjunto e das Finanças.

Apesar de todos os indicadores apontarem para tal, o presidente da Caixa ressalvou que ainda há passos que têm de ser dados para recomeçar a compensar os contribuintes, como os resultados dos testes de stress, e o aval do Banco Central Europeu e da Direção-Geral da Concorrência.

Também o BCP tem tomado passos para poder decidir reiniciar o pagamento de dividendos. Essas medidas passaram pela aprovação dos acionistas das propostas para clarificar o poder da AG para aprovar a distribuição de dividendos e pela redução do capital social.

Miguel Maya, o presidente executivo do BCP, disse esta quinta-feira, na conferência de imprensa dos resultados, que há “vontade de começar a pagar dividendos tão breve quanto possível”. Mas não se comprometeu com a distribuição de dividendos já em 2019, dizendo que ainda se tem de discutir o assunto com as autoridades.

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