Banco de Portugal

Malparado. “Não cabe ao BdP impor opção ao sistema financeiro”

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal. Fotografia: Gustavo Bom/Global Imagens
Carlos Costa, governador do Banco de Portugal. Fotografia: Gustavo Bom/Global Imagens

Carlos Costa diz que o que está em causa é a criação de uma plataforma de recuperação de crédito

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, defendeu esta quarta-feira que a solução para a redução do crédito malparado no balanço dos bancos não pode ser imposta pelo supervisor e obriga a criar isenções das regras europeias de resolução e do mecanismo de ajudas de Estado.

“Não cabe ao Banco de Portugal impor qualquer opção ao sistema financeiro”, afirmou o governador aos deputados da comissão de orçamento e finanças. O responsável esclareceu a questão do banco mau, dizendo que o tema está em torno de “plataformas para a recuperação de crédito, por iniciativa própria dos bancos”.

“O ideal será uma iniciativa sem intervenção pública, o que pode acontecer se os bancos encontrarem investidores privados para suprir as perdas de capital associada à retirada dos ativos do balanço. É preciso haver capital supletivo”, afirmou.

Assim, Carlos Costa defende que é preciso uma exceção às regras de ajudas de Estado e das resoluções, impedindo a partilha de custos por todos os credores e a criação de remédios que compense a ajuda de Estado. “É preciso que a diretiva da resolução e recuperação bancária não imponha o ‘burden sharing’ e que as políticas de ajudas do Estado não imponham remédios”, afirmou aos deputados.

Para Carlos Costa, é preciso haver capital para compensar aquilo que é retirado do balanço dos bancos. Contudo, ainda não há soluções sobre o tema. O Governo está a preparar um diploma que permitirá a retirar do balanço o efeito fiscal deste crédito e os bancos têm realizado este trabalho de limpeza de balanço de forma individual.

“Estamos hoje a sofrer as consequências de atribuição de crédito”, afirmou, dizendo que em causa está crédito de alguns setores mais frágeis da economia e por outro das empresas que na crise não conseguiram resolver o tema. “O problema está ai, temos de resolver o problema”, nas empresas com capacidade de recuperação. “Não podemos continuar a alocar recursos a entidades que não são viáveis”, avisou.

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