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Maria Luís: Autoridades devem esclarecer cabalmente escolha do Lone Star

"Não pode ficar a pairar uma suspeita de que a decisão tomada não foi a melhor", apontou a ex-ministra das Finanças do PSD aos deputados

Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças, desafiou esta quarta-feira as autoridades responsáveis pela venda do Novo Banco a “esclarecer cabalmente” o porquê de terem escolhido o fundo Lone Star para tomar 75% do capital do ex-BES, na segunda tentativa de venda do antigo banco da família Espírito Santo. Em causa as notícias sobre um alegado interessado de última hora que, todavia, não participou em nenhuma fase da venda.

A ex-ministra das Finanças está neste momento a ser ouvida na comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA) a propósito do dossier “BES/Novo Banco”, tendo liderado as Finanças entre 2013 e 2015, perído em que o BES colapsou e o então governo e o Banco de Portugal fracassaram a tentar vender o banco de transição que surgiu das cinzas do BES, o Novo Banco.

“Não tenho informação que permita saber se a informação é verídica [sobre a existência de um interessado]. Mas é indispensável que seja apurado que os termos das propostas que foram recebidas. Não pode ficar a pairar uma suspeita de que a decisão tomada não foi a melhor”, apontou a ex-ministra aos deputados, em resposta a perguntas de Inês Domingos, do PSD.

Em causa a escolha do fundo Lone Star para tomar 75% do Novo Banco, a custo zero, com o Fundo de Resolução a assumir ainda um “mecanismo contingente” que cobre até 3,9 mil milhões de euros em potenciais perdas com determinados ativos do ex-BES.

“Não pode ficar a suspeita que a decisão tomada não foi a melhor. Não é admissível. A obrigação das autoridades é esclarecer cabalmente esta matéria”, acrescentou Maria Luís Albuquerque. As negociações para a venda do Novo Banco foram assumidas integralmente pelo Banco de Portugal e pelo ex-secretário de Estado do PSD, Sérgio Monteiro. Quando estes dois responsáveis tomaram a decisão pelo Lone Star, o dossier acabou por progredir para o Ministério das Finanças.

Em relação aos termos desta venda e à fatia de 25% do Novo Banco que ficou nas mãos do Fundo de Resolução, a ex-ministra apontou que esta parte do capital “com maior probabilidade trará perdas” e não ganhos futuros.

 

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