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Miguel Maya: “Sabemos muito bem a importância de ser ajudado”

Miguel Maya, presidente executivo do Millennium BCP, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados do 1.º trimestre de 2019, Lisboa, 9 de maio de 2019. JOÃO RELVAS/LUSA
Miguel Maya, presidente executivo do Millennium BCP, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados do 1.º trimestre de 2019, Lisboa, 9 de maio de 2019. JOÃO RELVAS/LUSA

O CEO do BCP espera que, "o mais tardar no início da próxima semana", o diploma legal que vai enquadrar a moratória possa ser anunciado pelo governo.

O presidente executivo do Millennium bcp, Miguel Maya, disse esta quarta-feira que o banco vai retribuir aos portugueses a ajuda que recebeu do Estado e tem prontas medidas para apoiar famílias e empresas afetadas pela epidemia do coronavírus, num montante global de 4,7 mil milhões de euros.

“As medidas estão prontas”, disse Miguel Maya no programa ‘Negócios da Semana‘, na SIC Notícias. Uma das medidas consiste na aplicação da suspensão temporária do pagamento de créditos.

Adiantou que, para que as medidas de apoio avancem, “falta o diploma legal que permita que essas reestruturações se enquadrem numa moratória”, para que os clientes “não fiquem marcados como clientes em dificuldades”.

O CEO do BCP disse que espera que, “o mais tardar, no início da próxima semana”, o diploma legal que vai enquadrar a moratória possa ser anunciado pelo Governo. E negou que tenha havido negociações entre o Governo e os bancos. “Isso é uma ficção, a negociação”, disse, explicando que os bancos foram consultados no âmbito de um diagnóstico feito pelo Executivo liderado por António Costa.

Miguel Maya lembrou que o BCP foi ajudado pelos contribuintes portugueses em 3.000 milhões de euros, tendo o banco devolvido o empréstimo acrescido de 1.000 milhões de euros. “Sem essa ajuda não teríamos sobrevivido”, afirmou.

 

Frisou que a recuperação económica “vai demorar algum tempo. “Não pode haver alarmismo mas tem que haver cenários. Temos que estar preparados para o pior e esperar o melhor”, disse.

Miguel Maya afirmou que, quanto à evolução da economia, “em ‘L’ não será de certeza”. “Pode ser um ‘U’ com uma perna mais estendida”, disse, frisando que há que estar preparado “para um período mais longo” de recuperação económica.

O banqueiro defendeu a emissão de ‘Coronabonds‘, que não reúnem consenso na União Europeia. “Esta crise tem de ser oportunidade para mudar o modelo de funcionamento da Europa. Temos de tratar de uma forma muito séria dos ‘Coronabonds‘”, disse Miguel Maya.

CEO do Novo Banco: “Todos os bancos decerto vão ajudar”

António Ramalho, presidente executivo do Novo Banco, afirmou esta quarta-feira que “todos os bancos vão seguramente ajudar” as famílias e as empresas portuguesas afetadas pelos impactos da epidemia do coronavírus.

Adiantou que o Novo Banco já está a aplicar moratória em créditos de clientes. Disse ainda que espera que, até ao final desta semana, o Governo anuncie o diploma legal que vai reger a suspensão temporária de pagamento de prestações de empréstimos. (Leia mais aqui)

Atualizada às 00H26 com mais informação

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