Ministério Público está a investigar crise no Espírito Santo

Ricardo Salgado deixou a liderança do BES
Ricardo Salgado deixou a liderança do BES

A crise no Grupo Espírito Santo (GES) já está a ser investigada pelo Ministério Público, que abriu os inquéritos mesmo antes das notícias publicadas ao longo das últimas semanas.

Depois das autoridades luxemburguesas terem arrancado com a investigação às holdings do GES sediadas naquele país – Espírito Santo Internacional (ESI), Espírito Santo Financial Group (ESFG) e Rioforte – a Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou, ontem, que abriu vários inquéritos relacionados com a crise no GES. “Existem inquéritos em curso relacionados com esta matéria e que são até anteriores às notícias das últimas semanas”, disse à Lusa fonte oficial da PGR. Segundo a mesma fonte, o Ministério Público está a acompanhar “a situação, coligindo, desde a primeira hora, todos os elementos que têm vindo a público e analisando a eventual relevância penal dos mesmos “.

Leia aqui: ESI pediu a gestão controlada

Escusando-se a avançar mais pormenores sobre as investigações em curso, a mesma fonte da PGR referiu que “o Ministério Público tem levado a cabo todas as diligências que se mostram pertinentes à descoberta da verdade e não deixará de continuar a fazê-lo”. Nas últimas semanas, foram sendo tornados públicos vários problemas em empresas da área não financeira do GES, que têm suscitado receios de contágio ao BES.

O grupo tem sido notícia na imprensa nacional e internacional pelos piores motivos. Ainda assim, o Banco de Portugal voltou, ontem, a garantir que os depositantes podem ficar descansados: “Se tudo corresse mal, a solvência estaria garantida e os clientes estariam salvaguardados”, afirmou Carlos Costa, na Comissão Parlamentar do Orçamento, Finanças e Administração Pública. Segundo Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, “o banco cumpre os rácios de solvência”. “Há algumas incertezas, incertezas acomodáveis dentro da almofada” de capital que o BES constituiu de 2,1 mil milhões de euros. As dúvidas que ainda possam existir estão no BESA, mas este responsável não espera que existam surpresas.

Carlos Costa revelou ontem que “o Banco de Portugal tem acompanhado especificamente o BES desde há cerca de 18 meses” e que, na sequência das irregularidades descobertas, já encomendou uma auditoria forense para avaliar a forma como o banco foi gerido. “O Banco de Portugal solicitou uma auditoria forense que confirme o cumprimento total de todas as determinações prudenciais de ring-fencing [anel de separação do BES do grupo] emitidas relativamente às entidades não financeiras do GES”, adiantou o governador. Além disso, o Banco de Portugal “determinou a realização de uma auditoria independente, que acresce à revisão da carteira de crédito” e que será realizada na avaliação de caráter abrangente que o Banco Central Europeu (BCE) irá realizar à banca europeia até ao final do ano. Segundo Carlos Costa, “destas duas auditorias não teremos surpresas materiais financeiras, mas avaliações de comportamento da forma como foi gerido”. E adiantou aos deputados que “terá objetivamente consequências”, referindo que poderá atuar no âmbito dos seus poderes prudenciais.

O responsável pela supervisão bancária considera que é “muito importante criminalizar todos os atos de falsificação de informação contabilística”. Essa falsificação corresponde, de acordo com Carlos Costa, a uma “quebra de confiança enorme”, já que as entidades têm de respeitar o “princípio de veracidade e integridade”.

Já no dia anterior, a ministra das Finanças também apelou ao apuramento de responsabilidades a “vários níveis”. “Deve haver um apuramento de responsabilidades que tenham tido origem em comportamentos que, do ponto de vista legal, não deveriam ter existido”, afirmou Maria Luís Albuquerque.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho (D), e o secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita (E). Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Salário mínimo de 635 euros? Dos 617 dos patrões aos 690 euros da CGTP

concertação

Governo sobe, sem acordo, salário mínimo até 635 euros em 2020

concertação

Governo sobe, sem acordo, salário mínimo até 635 euros em 2020

Outros conteúdos GMG
Ministério Público está a investigar crise no Espírito Santo