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Santa Casa já negoceia entrada no Montepio Geral

Negociações entre acionista do Montepio e Santa Casa admite entrada de outras entidades da economia social no capital do banco

O Montepio Geral – Associação Mutualista e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa assinaram esta tarde um “memorando de entendimento para uma parceria estratégica” para o desenvolvimento da economia social. Este acordo é o primeiro passo oficial de aproximação entre as entidades, tendo em vista a eventual entrada da Santa Casa na Caixa Económica Montepio Geral, o banco detido pela Mutualista.

Segundo o comunicado agora divulgado, a Associação Mutualista e a SCML “comprometem-se a encetar negociações de boa-fé, numa base de melhores esforços, com vista a, tão prontamente quanto o respeito dos procedimentos (…), se poderá vir a concretizar a participação da SCML”. Também será estudado a eventual entrada de outras entidades no capital do banco, desde que sejam “instituições da economia social”, detalham.

Além da análise aos termos e moldes em que se poderá concretizar a entrada da SCML no capital da Caixa Económica, as entidades vão igualmente “analisar o alargamento do seu entendimento a outras áreas, nomeadamente a da saúde, nas suas diferentes vertentes, e a outras áreas de intervenção e apoio social”. Ambas apontam como objetivo destas negociações dar “um contributo muito significativo ao desenvolvimento da economia social em Portugal”.

Em abril último, Tomas Correia, presidente da Associação Mutualista, já tinha avançado ao Dinheiro Vivo que a instituição a que preside estava “aberta a outros investidores” além da Santa Casa, “desde que sejam da economia social e nacionais”.

Em análise entre as partes vai estar também a necessidade de proceder a “eventuais acordos e ajustamentos” ao modelo de governo da Caixa Económica Montepio Geral, em moldes que “permitam mecanismos adequados de salvaguarda do valor e da participação dos seus acionistas”.

Ausente do comunicado, porém, ficaram questões relativas a preços a pagar por cada unidade de participação da Caixa Económica ou qual o calendário associado a estas negociações.

Este entendimento entre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e o Montepio Geral tem sido apoiado pelo governo e também pelo Banco de Portugal que, a espaços, foram manifestando mais ou menos publicamente o apoio a este avanço.

Também o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel Lemos, já se manifestou favorável. “Vejo com muitíssimos bons olhos a existência de um banco de economia social. Um banco que agregue os diferentes atores da economia social e as diferentes formas em que possamos contribuir para o sistema bancário. […] A SCML é o parceiro fundamental de um objetivo comum da economia social”, referiu Manuel Lemos em entrevista dada ao Dinheiro Vivo no final de maio.

O ministro do Trabalho e da Segurança Social, chegou a defender uma maior cooperação entre a Santa Casa e o Montepio Geral ao longo de uma audição parlamentar, também em maio. “Vejo com bons olhos passos o sentido de uma maior cooperação entre instituições do setor social”, adiantou Vieira da Silva.

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