banca

Montepio ganha super chairman e mais acionistas

Tomás Correia, Presidente da Associação Montepio. Fotografia: Gonçalo Villaverde/Global Imagens
Tomás Correia, Presidente da Associação Montepio. Fotografia: Gonçalo Villaverde/Global Imagens

O Montepio está prestes a entrar num novo ciclo com Carlos Tavares na liderança e mais acionistas.

É um virar de página para o Caixa Económica Montepio Geral (CEMG). Nova liderança e mais acionistas marcam o início de um novo ciclo no banco centenário da Associação Mutualista Montepio (AMM), num processo que se tornou num caso político: Carlos Tavares vai acumular as funções de presidente-executivo e presidente do conselho de administração do banco.

É essa a intenção e a proposta da Associação Mutualista e que deverá ter luz verde por parte do Banco de Portugal, que aguarda a lista completa dos nomes para os órgãos sociais do banco. Carlos Tavares, que é próximo do presidente da AMM, António Tomás Correia, é o nome-chave que deverá por um fim ao processo atribulado de avaliação dos órgãos sociais do Montepio pelo Banco de Portugal.

O ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários vai acumular funções durante alguns meses até à escolha de um CEO. Nuno Mota Pinto, que era apontado para CEO, fica como administrador do banco.

Além da nova liderança, o dossiê da entrada de novos acionistas também estará na reta final, com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) a ficar, pelo menos inicialmente, com uma pequena fatia do capital do CEMG, muito aquém dos 10%. A Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP) vai investir “10 mil euros” no CEMG, disse António Tavares, provedor da instituição, ao Dinheiro Vivo; será um “investimento simbólico e irá cumprir a diretiva de aconselhamento da União das Misericórdias Portuguesas”. António Tavares deverá assumir um cargo, provavelmente na Assembleia Geral do CEMG. “A SCMP irá fazer um investimento simbólico neste projeto, pois considera que a dimensão do mesmo, mais do que dinheiro, implica vontade de contribuir para o sucesso da criação de um verdadeiro Banco da Economia Social, que possa ajudar à afirmação do Terceiro Setor e para a necessária solidez de uma economia que cria emprego”, afirmou.

Fontes conhecedoras do processo apontam que o investimento dos novos acionistas deverá ser feito em linha com a avaliação que Tomás Correia atribui ao banco, que ronda os 2.000 milhões de euros. A concretizar-se, não fica assim beliscado o valor contabilístico que a Associação Mutualista atribui ao CEMG. A justificação dada prende-se com o investimento de menor valor que será feito no banco, o que já não justifica um eventual ‘desconto’ que poderia haver caso fosse adquirida uma maior fatia do capital do banco.

O encerramento do acordo estará dependente de pormenores por acertar. A SCML pretende ter no CEMG um ou dois administradores não executivos no banco, um dos quais Manuel Teixeira, apesar do investimento mais reduzido.

Se tudo correr bem, em breve será marcada a Assembleia Geral do CEMG para aprovar os novos estatutos do banco e os órgãos sociais. De resto, fonte oficial da AMM afirmou que a Associação “tem vindo a fazer contactos com entidades” que podem ser acionistas do CEMG. Apenas as associações mutualistas, misericórdias ou outras instituições de beneficência podem ter uma posição no capital de caixas económicas.

Dúvidas

Contudo, há ainda dúvidas e no parlamento o tema Montepio vai continuar na agenda, incluindo a pressão política para ser conhecida informação constante do estudo encomendado pela SCML ao banco de investimento Haitong com uma avaliação do CEMG, depois do Expresso ter noticiado, no passado sábado, que o CEMG tem uma avaliação abaixo dos cerca de 2.000 milhões de euros.

O PSD quer que o governo preste esclarecimentos sobre a eventual entrada da Santa Casa no Montepio e que o Ministério da Solidariedade e Segurança Social dê informações sobre o estudo do Haitong. Nas questões entregues à Assembleia da República, os sociais-democratas pedem acesso ao mesmo estudo.

O Ministério de Vieira da Silva escusou-se a responder a perguntas do Dinheiro Vivo. Também a SCML se remeteu ao silêncio.

Mutualista reage à SCML

Sobre o recuo da SCML, a Associação diz que “desconhece qual a posição da Santa Casa, “estando, obviamente, aberta à sua participação no projeto” de criar uma instituição financeira da economia social. Fonte oficial da AMM lembra o Memorandum de Entendimento assinado em junho de 2017 entre as duas entidades: “A AMM nunca definiu montantes e percentagens de participação e nunca formulou qualquer oferta com estes contornos”.

A agenda da AMM não acaba no CEMG. Até ao final de março, divulgará as contas consolidadas de 2016 e as individuais de 2017. E no final de 2018 há eleições para a liderança da Associação.

Ao DV, Tomás Correia não assume que está na corrida, afirmando estar focado no trabalho na AMM. “Haverá porventura quem ponha em primeiro lugar o combate político e eleitoral, nem que seja prejudicando a própria instituição”, disse. E a AMM afasta que a decisão da SCML esteja ligada às eleições. “Não tem qualquer sentido”, disse fonte oficial.

Certo é que entre associados e no meio financeiro e político há quem queira ver Tomás Correia fora da liderança da AMM. António Godinho, que foi rival de Tomás Correia nas últimas eleições, em 2015, defende uma renovação na liderança. “Tem de reconstruir a credibilidade da AMM e do CEMG”, disse o gestor ao DV.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Miradouro do Alvito. Marca única de autocarros abrange toda a Área Metropolitana de Lisboa.
( Jorge Amaral / Global Imagens )

Medina quer marca única para os autocarros da Área Metropolitana de Lisboa

O furo da Herdade da Comporta será decidido dentro de dias.  Fotografia: D.R.

Comporta. Só o consórcio Amorim/Berda apresentou proposta

Ponte 25 de Abril

Ponte 25 de Abril: Consórcio da Somague vence obra de 12,6 milhões

Outros conteúdos GMG
Montepio ganha super chairman e mais acionistas