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Montepio: Nova polémica nas eleições da Mutualista

Fotografia: Sarah Costa/Global Imagens
Fotografia: Sarah Costa/Global Imagens

Conselho de administração da Mutualista é acusado de instrumentalizar o grupo para defender candidatos da lista A, de Tomás Correia.

Um comunicado divulgado pelo conselho de administração da Associação Mutualista Montepio Geral, em defesa de representantes da lista A, incluindo António Tomás Correia, está a gerar polémica junto das restantes duas listas que concorrem às eleições da instituição.

O conselho de administração da Mutualista, presidido por Tomás Correia, reuniu ontem em sessão extraordinária “para analisar o conteúdo das notícias veiculadas pelas televisões na passada sexta-feira, em horário nobre, a que se seguiu uma sequência de emissões de reportagens que visaram o bom nome do grupo Montepio e dos profissionais que o integram”.

Na sequência da reunião, o conselho de administração “deliberou recomendar que todas as entidades do grupo Montepio difundam pelos meios apropriados, junto de todos os seus trabalhadores” um comunicado em defesa dos visados pelas notícias, incluindo Tomás Correia, que lidera a lista A e tenta um quarto mandato à frente da Mutualista, que é dona do banco Caixa Económica Montepio Geral (CEMG).

A reunião extraordinária do conselho de administração da Mutualista e o comunicado emitido causaram consternação nas listas concorrentes.

Fernando Ribeiro Mendes, que lidera a lista B e é administrador da Mutualista, emitiu um comunicado esta terça-feira a anunciar que votou contra a deliberação do conselho de administração e condena o comunicado emitido em defesa de candidatos da lista A.

No comunicado, Ribeiro Mendes defende que “as reportagens apresentadas pelas televisões generalistas RTP1, SIC e TVI noticiaram factos que alegadamente levantam a suspeição das autoridades judiciais e de supervisão bancária, como podendo ser da responsabilidade de três candidatos da Lista A ao conselho de administração, praticados em funções de gestão noutras instituições que não a nossa Associação”.

Também abordaram “indícios sobre comportamentos de propaganda indevida junto de associados aos balcões do banco da mutualidade em apoio àquela lista, por parte de alguns colaboradores da CEMG”.

“Tais reportagens dizem respeito exclusivamente aos candidatos e à atuação na campanha eleitoral de apoiantes da lista A pelo que só a esta caberá reagir em conformidade”, frisa.

Destaca que “envolver através de uma tomada de posição institucional do seu conselho de administração, a instituição Montepio e os seus trabalhadores numa qualquer controvérsia a propósito destas reportagens é uma instrumentalização da Associação por parte da lista A, em maioria no atual conselho de administração, que pode ter consequências de agravamento de danos reputacionais à Associação”.

Também a lista C, liderada por António Godinho, está contra a reunião e o comunicado emitido pelo conselho de administração da Associação.

As eleições para a liderança da maior mutualista do país está agendada para 7 de dezembro mas já decorre por correspondência. A Associação conta com mais de 600 mil associados e gere quase 4.000 milhões de euros em ativos.

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