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Montepio. Tomás Correia sente-se “reforçado” com aprovação das contas

Tomás Correia, presidente da Associação Mutualista do Montepio.
( Gustavo Bom / Global Imagens )
Tomás Correia, presidente da Associação Mutualista do Montepio. ( Gustavo Bom / Global Imagens )

Apesar das críticas e pedidos de demissão as contas da Mutualista foram aprovadas com mais de 90% dos presentes a votar a favor

O presidente da Montepio Geral Associação Mutualista, António Tomás Correia, garantiu esta madrugada que sai “reforçado” na liderança da instituição depois de todos os pontos da assembleia-geral, incluindo as contas de 2015 e 2016, terem sido aprovados com mais de 90% do capital representado a votar a favor.

Questionado pelos jornalistas, no final da reunião magna, que decorreu no Coliseu durante mais de três horas, Tomás Correia afirmou que “como é que é possível entender que não saio reforçado se o Conselho de Administração a que preciso apresenta um conjunto de propostas e as médias das votações são mais de 95% dos votos?”.

As contas consolidadas de 2105 foram aprovadas com 92,4% do capital representado a votar a favor. Só 106 associados votaram contra. Votaram 1389 associados, dado que alguns foram saindo ainda decorria a reunião, que arrancou com 1410 associados, sendo a segunda mais participada de sempre. Já as contas individuais de 2016 foram aprovadas com 95,8% dos votos a favor. A Mutualista conta com mais de 630 mil associados.

Nas contas individuais registou-se um lucro de 7,3 milhões de euros. Nas contas consolidadas o MGAM apresentou um capital próprio negativo de 107 milhões de euros, o que Tomás Correia justificou aos associados com os créditos do banco, a Caixa Económica.

A votação mostra, para Tomás Correia, que os associados “estão determinados, envolvidos com a associação, fortes e que querem que a associação seja”.

“Não se pode dizer que quando se tem 95% dos votos que estejamos perante algo que põe em causa o caminho” que a administração está a seguir, atirou.

Questionado pelos jornalistas sobre se tinha condições para continuar, uma vez que é arguido em quatro processos, reforçou que sim. E garantiu estar “completamente tranquilo” em relação aos processos em causa.

Tomás Correia voltou a lembrar a necessidade de alterar o código mutualista para que a Associação fique a ser supervisionada pelo regulador dos seguros, a ASF, mantendo-se sob tutela do ministério do Trabalho e Segurança Social.

Leia mais: Montepio. A assembleia-geral de todas as dúvidas

À saída da reunião magna, alguns associados teceram duras críticas à forma como se processavam as votações, com as luzes da sala acesas e os votos contados pedindo aos associados para se levantarem, sem voto secreto e sem direito a abstenção. Um dos associados, em declarações aos jornalistas, garantiu mesmo que era “umas vergonha” o sistema de votações, sem controlo de quem está na sala, “assumindo-se que quem não está vota a favor.

Também António Godinho, um dos maiores críticos de Tomás Correia e que fazia parte da lista adversária, onde também estava Bagão Félix, disse aos jornalistas que ia apresentar uma moção de destituição do presidente da Mutualista mas que decidiu não o fazer porque o mais importante “é a instituição”. Contudo, apesar da aprovação, garantiu que “é preciso continuar vigilante” e também criticou a falta de tempo para os associados apresentarem os seus pontos de vista. “Devia haver mais tempo para discussão e uma discussão mais aberta e democrática. Nesse sentido estou dececionado”, admitiu.

Questionado pelos jornalistas, Tomás Correia desvalorizou: “a forma como se vota é como se vota em todos os sítios e de acordo com os princípios mutualistas não há abstenções”.

A reunião magna teve momentos de tensão, segundo disseram vários associados aos jornalistas, com alguns a pedir a demissão de Tomás Correia, incluindo Eugénio Rosa, vogal do Conselho Geral e opositor da atual gestão. Eugénio Rosa afirmou aos associados que “a Associação enfrenta um momento difícil”, segundo apurou o Dinheiro Vivo.

“Não se deixem encantar por estes cantares de sereia. A consolidação de contas dá-nos a verdadeira situação da Associação Mutualista”, frisou Eugénio Rosa.

Presente na reunião magna esteve também o auditor KPMG, que colocou o ênfase às contas de 2015 destacando o capital próprio negativo. O auditor garantiu que associados que não há cenário de liquidação, apurou ainda o Dinheiro Vivo. “As operações vão continuar num ritmo normal. O pressuposto das contas é de que existe continuidade das operações da Associação Mutualista. Não há qualquer cenário de liquidação da Associação Mutualista”.

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