Coronavírus

Moody’s. Apoios públicos europeus não compensam destruição em curso da economia

O Comissário Europeu da Economia, Paolo Gentiloni (à esquerda); o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno (ao centro) e Klaus Regling, diretor geral do Fundo Europeu de Estabilidade.  Foto: EPA/STEPHANIE LECOCQ
O Comissário Europeu da Economia, Paolo Gentiloni (à esquerda); o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno (ao centro) e Klaus Regling, diretor geral do Fundo Europeu de Estabilidade. Foto: EPA/STEPHANIE LECOCQ

Estados europeus não estão a garantir a totalidade dos empréstimos de emergência e isso é um problema grave, defende a Moody's

Os apoios públicos europeus até agora anunciados não compensam a totalidade de destruição prevista da economia por causa da pandemia do coronavírus, alerta a Moody’s.

A agência de ratings lança vários alertas. As medidas até são “positivas” para a avaliação do rating [nota da dívida] de empresas e bancos, mas são “neutrais”, ou seja indiferentes, no caso dos Estados. Estes últimos ficam assim num género de linha de fogo no futuro: a dívida pública que vai crescer muito com estas ajudas pode ser um problema sério nos próximos anos.

Um estudo da agência publicado nesta segunda-feira refere claramente que “os efeitos positivos das medidas de apoio dos governos não compensarão completamente os danos económicos e na classificação da qualidade do crédito” por causa da pandemia de coronavírus.

A Moody’s avisa ainda que as empresas estão mais isoladas de efeitos negativos futuros do que os Estados. “O impacto na nota de crédito destes apoios financeiros relacionado com o coronavírus varia consoante o setor”.

As medidas “são amplamente positivas para empresas e instituições financeiras”, mas “neutras para os soberanos [os Estados]”.

“No entanto, os efeitos positivos dos programas de apoio públicos não compensarão completamente os danos económicos e financeiros decorrentes do combate à pandemia”, alerta a agência.

“Embora as políticas de apoio do governo ajudem a fortalecer famílias e empresas, há uma incerteza considerável relativamente à eficácia dessas medidas”, sendo que “elas não compensarão os danos decorrentes do combate à pandemia”, afirma Colin Ellis, diretor da Moody’s para a área de estratégia de crédito e coautor deste novo estudo.

Foram analisadas “as cinco maiores economias europeias – Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha”.

“Por exemplo, bancos e outras instituições financeiras devem estar relutantes em emprestar aos clientes mais arriscados porque os governos não garantem totalmente os empréstimos” em causa.

Para a Moody’s, estas “as garantias de empréstimos fornecerão apenas uma almofada para os clientes corporativos que já beneficiam de liquidez adequada e beneficiarão os clientes com maior capacidade de crédito”.

Adicionalmente, “o custo orçamental das medidas de apoio do governo deverá ser substancial” e irá “além do aumento normal dos défices que seria esperado num abrandamento económico”.

No entanto, a Moody’s admite que “os soberanos também têm ferramentas únicas à sua disposição”.

“Os pacotes de apoio públicos suavizarão as interrupções económicas para famílias e empresas, o que limitará danos na liquidez e na tesouraria do setor privado no curto prazo. No entanto, medidas como as moratórias no pagamento das dívidas podem enfraquecer a qualidade dos ativos bancários e reduzir a tesouraria no caso das securitizações [venda de créditos futuros]”.

Esta terça-feira, “o Eurogrupo continuará a trabalhar para uma resposta coordenada às consequências económicas da pandemia de Covid-19, no seguimento do convite que lhe foi feito pelos dirigentes da UE em 26 de março de 2020”, diz o conselho informa de ministros das finanças da zona euro presidido por Mário Centeno.

(atualizado 21h40)

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
O primeiro-ministro, António Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno. Fotografia: PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP

Exportações e turismo afundam 9,6% e geram recessão de 2,3% no 1º trimestre

O primeiro-ministro, António Costa. JOÃO RELVAS/POOL/LUSA

Centros comerciais e Lojas do Cidadão em Lisboa só reabrem a 04 de junho

Cartões de crédito e débito. Fotografia: Global Imagens

Malparado: 10% das famílias com crédito está em incumprimento

Moody’s. Apoios públicos europeus não compensam destruição em curso da economia