Criptomoedas

Moody’s: Facebook pode vir a tornar-se uma ameaça aos bancos

Facebook
Foto: REUTERS/Stephen Lam

A agência de notação financeira avisa que será preciso perceber se o Facebook vai oferecer depósitos e outros serviços financeiros.

A Moody’s alertou esta segunda-feira que o Facebook, com a sua “vasta base de utilizadores”, pode vir a tornar-se numa ameaça ao setor da banca, caso a sua criptomoeda, Libra, tenha sucesso junto dos consumidores e das empresas.

O Facebook anunciou a 18 de junho o lançamento da Libra e a criação de uma subsidiária, Calibra, em 2020 para oferecer uma carteira digital para a sua moeda digital, que estará disponível no Facebook Messenger, no WhatsApp, e também como uma aplicação que se pode descarregar.

A tecnológica vai lançar a moeda junto com outras 27 membros fundadores incluindo Visa, Mastercard, Vodafone, Paypal, eBay, Spotify, Uber, Lyft, Booking Holdings. Vai ser criada a Associação Libra, com sede em Genebra, Suíça para gerir a moeda.

“Em particular, essa nova plataforma poderia efetivamente fornecer um ecossistema alternativo para pagamentos, contornando os participantes existentes e eliminando alguns dos papéis que os bancos tradicionalmente desempenham”, avisa Robard Williams, vice-presidente sénior da agência de notação financeira, citado numa nota.

“Outro fator importante a ser observado enquanto o produto evolui é se o Calibra e outras carteiras Libra, em última instância, oferecem produtos semelhantes a depósitos e outros serviços financeiros e, em caso afirmativo, até que ponto os clientes, inclusive consumidores e empresas, os utilizam”, adianta.

De resto, segundo a Moody’s, “no ecossistema digital em rápida evolução, as maiores empresas de tecnologia estão prontas para se tornarem concorrentes nos serviços financeiros de retalho, diminuindo as comissões dos bancos”.

“À medida que grandes empresas de tecnologia, como o Facebook, se posicionam como fornecedores de serviços financeiros, o seu sucesso pode permitir que eles controlem não apenas uma parte significativa da distribuição e a experiência do cliente, mas também competir mais diretamente com os incumbentes, fabricando produtos financeiros, controlando a experiência do utilizador e em última análise, capturando uma fatia maior do lucro associado”, frisa Williams.

A Moody’s vê o lançamento da Libra “como um suporte aos esforços do Facebook para integrar mais profundamente os seus 2,4 mil milhões de utilizadores além das redes sociais e atrair potencialmente novos utilizadores”. Acredita que “o lançamento também pode ajudar a empresa a explorar novas fontes de dados, tornando sua publicidade mais eficiente e aumentando a receita publicitária em geral”.

Do ponto de vista da indústria de processamento de pagamentos, a Moody’s refere que “o lançamento de uma plataforma alternativa de pagamentos por um líder tecnológico tão omnipresente quanto o Facebook provavelmente acelerará a quota de mercado dos pagamentos eletrónicos face ao dinheiro e cheques”.

“A questão-chave que permanece incerta neste momento é como é que a Libra se vai ligar ao resto do ecossistema financeiro mundial”, adianta, frisando que “a Visa e a Mastercard parecem ser parceiras mais naturais da Libra do que os sistemas nacionais de compensação automática, à luz da natureza global do esforço do Facebook”.

Atualizada às 15H30 com alteração no número de utilizadores do Facebook

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