Futuro da Banca

Mourinho Félix: Solução para malparado será dossier para depois da CGD

Ricardo Mourinho Félix.  Fotografia: ANTÓNIO COTRIM/LUSA
Ricardo Mourinho Félix. Fotografia: ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Banqueiros preocupados com solução que surgirá para malparado. Mas já têm nova visão sobre CGD: deve ser e permanecer pública

Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado do Tesouro, atirou para depois de março de 2017 o calendário para o avanço da solução para o crédito malparado no balanço dos bancos. A prioridade é resolver a Caixa Geral de Depósitos e só depois olhar para os ativos não produtivos que reduzem a capacidade operativa do sistema financeiro, explicou.

“Com a recapitalização da CGD e a extensão da maturidade do empréstimo ao Fundo de Resolução, o sistema financeiro português estará numa posição estável em termos de capital e poderá no ano de 2017 enfrentar com segurança o desafio de encontrar uma solução eficiente e geradora de valor para os ativos não produtivos”, considerou ontem no Fórum da Banca, organizado pelo Jornal Económico.

Apesar dos trabalhos que o Governo já tem em curso, pouco se sabe sobre a solução que está a ser gizada para estes créditos, ainda que a mesma inclua o Ministério da Justiça, já que a morosidade desta é uma das críticas mais recorrentes neste tema. Os banqueiros presentes no Fórum queixaram-se do desconhecimento sobre a solução em curso, sobretudo os mais assolados pelo malparado – BCP e Novo Banco.

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“Quando conhecer a ideia, logo veremos”, disse Nuno Amado, sobre o interesse do BCP na solução. Mas Amado mostrou-se preocupado com a hipótese de os bancos serem levados a libertar-se destes ativos através de fire sales [venda urgente].

“O Banco de Portugal é favorável a uma fire sale? Mas estas vendas destroem capital”. Para o líder do BCP, será mais rentável e menos nocivo se a banca continuar a apostar na “gestão ativa destes créditos”, sobretudo se a Justiça for mais rápida, lembrando que em Portugal esta demora “o dobro da média europeia”.

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Também António Ramalho, do Novo Banco, recusou a ideia de fire sales para libertar os bancos de ativos não produtivos. “Não podem destruir capital. A venda apressada pode criar um esmagamento de crédito e não uma solução estruturada como é preciso”.

CGD pública já é bem vista

No painel que colocou quatro banqueiros em debate – além de Nuno Amado e António Ramalho, estiveram Vieira Monteiro (Santander Totta) e Pereira Coutinho (CTT) -, uma ideia surpreendeu: o setor já vê com bons olhos a existência de um banco 100% público. Agora questionam apenas qual a sua função.

“Neste momento todos entendem que deve haver um banco público”, considerou Vieira Monteiro. “Resta definir quais as suas funções no novo enquadramento do mercado”. Luís Pereira Coutinho, do Banco CTT, alinhou (ligeiramente) fora de tom: “É bom que CGD seja pública, mas não seria inconveniente que tivesse uma parte cotada em Bolsa.”

Nuno Amado deu a cara pela mudança de opinião: “Tinha muitas dúvidas no passado, mas hoje sou favorável a uma CGD pública, desde que definindo bem os objetivos e com uma gestão independente.”

Mais aumentos de capital?

Ainda em plena crise com a gestão da CGD e declarações de rendimentos, Mourinho Félix, lembrou os méritos da intervenção do Governo no sistema financeiro, garantindo que a entrada da Fosun no BCP só ocorreu graças ao prolongamento do empréstimo ao Fundo de Resolução. “Os resultados são já evidentes, como se pode verificar pela entrada no BCP de um importante investidor”. E garantiu que “desde então” diversos investidores manifestaram interesse “em participar em aumentos de capital de bancos portugueses”.

Um apanhado recente feito pelo Dinheiro Vivo, ao período de 2007 a 2015, concluiu que BCP, BES, BPI e CGD já pediram 11,2 mil milhões aos acionistas.

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