Novo Banco

Novo Banco: 2019 foi “marco importante” na reestruturação da instituição

António Ramalho é o CEO do Novo Banco. (TIAGO PETINGA/LUSA)
António Ramalho é o CEO do Novo Banco. (TIAGO PETINGA/LUSA)

António Ramalho mostrou a sua “total disponibilidade” para ir ao parlamento explicar as contas do banco e o processo de reestruturação.

O presidente do Novo Banco considera que o ano de 2019 foi um “marco importante” para a entidade, face aos objetivos do processo de reestruturação, numa carta enviada ao parlamento a que a Lusa teve acesso.

Na carta de quatro parágrafos, que chegou na quarta-feira aos deputados, António Ramalho mostra a sua “total disponibilidade” para ir ao parlamento explicar as contas do banco e o processo de reestruturação que vem sofrendo, considerando que o ano de 2019 foi um “marco importante” do processo que o banco vem atravessando.

“[…] O presente exercício representa um marco importante no processo de reestruturação encetado em 2017, dado ser o fim de um período em que o Novo Banco tinha de cumprir um conjunto alargado de compromissos que constam do acordo assinado entre o Estado português e a União Europeia, por altura da sua operação de venda, o que dá a essa divulgação uma relevância especial”, refere António Ramalho.

As contas de 2019 do Novo Banco serão divulgadas esta sexta-feira, mas já se sabe que serão de prejuízos significativos (até setembro as perdas ascenderam a 572,3 milhões de euros, acima dos 419,6 milhões de euros negativos dos primeiros nove meses de 2018) e que o banco pedirá uma injeção de capital de 1.037 milhões de euros ao Fundo de Resolução.

O Novo Banco foi criado em agosto 2014 para ficar com ativos e passivos do Banco Espírito Santo (BES), alvo de uma medida de resolução, e desde então tem obtido consecutivamente prejuízos.

Em outubro de 2017 foi vendido em 75% ao fundo norte-americano Lone Star, mantendo o Fundo de Resolução (entidade da esfera do Estado, gerido pelo Banco de Portugal) os restantes 25%.

Desde então, o banco tem levado a cabo um processo de reestruturação, com reorganização de negócio, venda de ativos e redução de trabalhadores.

No âmbito da venda, o Estado fez um acordo de capital contingente com a Lone star que prevê a recapitalização do banco pelo Fundo de Resolução para cobrir falhas no capital geradas pelos ativos tóxicos com que o Novo Banco ficou do BES (crédito malparado ou imóveis).

No total, segundo esse acordo, o Fundo de Resolução bancário pode injetar 3,89 mil milhões de euros no banco até 2026.

Referentes a 2017 e 2018, o Novo Banco já recebeu 1.941 milhões de euros e, esta quarta-feira, o presidente do Fundo de Resolução anunciou no parlamento que serão pedidos mais 1.037 milhões de euros referentes a 2019.

Já sobre a eventual injeção de capital única antecipada do Fundo de Resolução no Novo Banco, terminando com o mecanismo contingente, Máximo dos Santos disse que há de Novo Banco, Lone Star, Fundo de Resolução, Banco de Portugal e Governo “recetividade em abstrato” a essa solução, uma vez que poderia ser positiva do “ponto de vista do acautelamento do interesse público”, mas que não há negociações formais nesse sentido.

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