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Novo Banco. Analistas destacam risco para contas públicas

Banco de Portugal diz que Lone Star tem a melhor proposta. Finanças querem celeridade no processo, que prossegue negociando com todos os interessados.

A negociação para a venda do Novo Banco vai continuar com todos os candidatos que estão na corrida, apesar do Banco de Portugal já ter informado que a Lone Star é quem apresenta, de momento, a melhor proposta.

A entidade liderada por Carlos Costa avisa sobre o risco de impacto nas contas públicas caso os candidatos não deixem cair a exigência de uma garantia estatal na venda – uma exigência feita pelo Lone Star, que oferece 750 milhões de euros pelo Novo Banco, e também pelo consórcio Apollo/Centerbridge. Ainda assim, o ministério das Finanças já fez saber que vê com bons olhos o facto dos candidatos estarem disponíveis para rever as propostas no sentido de retirar a exigência das garantias estatais.

Os analistas contactados pelo Dinheiro Vivo destacam o risco para as contas públicas caso se mantenha essa exigência e a venda do Novo Banco avance mesmo – o prazo limite para alienar o banco de transição que resulta da queda do BES é agosto deste ano.

“O impacto irá depender não só do valor da garantia, mas principalmente de essas garantias serem exercidas, o que dependerá da evolução desses mesmos ativos nos próximos anos”, diz ao Dinheiro Vivo Albino Oliveira, da Patris Investimentos, embora frise que é difícil avaliar o impacto.

Já Nuno Mello, gestor da corretora XTB, frisa que “as declarações de Mário Centeno vêm no seguimento da oferta do Lone Star prever a criação de um veículo para gerir os ativos não rentáveis e que não pretende adquirir, mas em contrapartida exige uma garantia estatal de dois mil milhões de euros e é precisamente este facto que poderá ter um impacto nas contas públicas”.

“Caso não se concretize a venda em mercado do Novo Banco, um hipotético cenário de nacionalização também implicaria dinheiro dos contribuintes e consequentemente um impacto nas contas públicas”, lembra o especialista.

Mário Centeno, em entrevista ao DN/TSF, admitiu que todas as hipóteses estavam em aberto, incluindo a nacionalização, mas afastou a possibilidade do processo ter impacto nos contribuintes.

A próxima fase do processo passa pela negociação, “nomeadamente no que se refere à capacidade de reduzir o impacto nas contas públicas, o que segundo a informação divulgada pela imprensa poderá estar relacionado com a concessão de garantias por parte do Estado sobre alguns dos ativos do Novo Banco”, diz Albino Oliveira.

Questionados sobre o impacto da venda para o setor bancário, os analistas contactados têm opiniões diferentes.

Nuno Mello diz que “o setor bancário nacional fica mais forte e estável. Por outro lado a entrada de mais uma entidade internacional no setor bancário nacional trará uma maior oferta e variedade de produtos bancários, o que sem dúvida é benéfico para o cliente bancário”.

Albino Oliveira, por seu turno, aponta que “a venda poderia ter possibilitado uma consolidação do setor bancário nacional, o que teria implicações positivas. Contudo, não só a Lone Star, como as restantes duas propostas (Apollo/Centerbridge e Minsheng) não deverão permitir de imediato uma consolidação no setor”.

Para o analista da Patris Investimentos o preço final de venda “deverá situar-se num valor bem abaixo das expectativas iniciais e do suporte fornecido ao banco por parte do fundo de resolução, em linha com o que já era esperado pelos mercados financeiros”.

Assim, “esta diferença tem implicações negativas para o setor bancário nacional via o fundo de resolução. O horizonte estabelecido para o setor bancário lidar com este tema é bastante longo, o que acaba por diminuir o impacto imediato no setor”, conclui.

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