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Novo Banco avalia vender ativos não essenciais e espera por BPI

Foto: D.R.
Foto: D.R.

A administração já se encontra em fase de ajustamento da operação para a nova realidade do Novo Banco, mais magro e focado na banca tradicional

O Banco de Portugal e Sérgio Monteiro, responsáveis pelo processo de venda do Novo Banco, pretendem ter todas as alternativas em aberto para assegurar que a segunda tentativa de venda da instituição decorra sem novas derrapagens.

Depois de em 2015 o processo ter sido anulado provocando impactos negativos no défice público, agora o supervisor bancário quer assegurar que até ao final de julho o Novo Banco é devolvido ao setor privado – seja através da dispersão do capital em bolsa, seja pela venda direta a um grupo bancário.

Já com os resultados de 2015 do Novo Banco em mão e também com o processo de reestruturação da entidade já em andamento, incluindo a redução do quadro de pessoal em mil pessoas, Sérgio Monteiro prepara agora uma nova apresentação das mais-valias deste banco a investidores na segunda metade deste mês, confirmando aquilo que já havia sido avançado pelo “Dinheiro Vivo” no final de fevereiro, onde se detalhava também que a realização de uma oferta pública inicial (IPO) em bolsa já estava a ser ponderada.

A hipótese de se recorrer a um IPO foi entretanto confirmada ontem pelo “Negócios” e “Económico”.

Apesar da preferência das autoridades ser pela venda da instituição, o prospeto do IPO está já em fase de preparação, de modo a que até julho os capítulos burocráticos de uma operação do género já estejam ultrapassados caso o cenário da venda direta não se concretize.

A abertura do capital em bolsa será igualmente uma das hipóteses que Monteiro apresentará aos potenciais investidores com que se irá cruzar no “roadshow” que decorre ainda este mês e que passará pelas praças de Londres ou Nova Iorque.

Esperar pelo CaixaBank

Também o prazo definido pelo Banco Central Europeu para o BPI resolver o problema de excesso de exposição ao mercado angolano poderá ajudar a fechar a eventual venda do Novo Banco. Conforme questionava fonte ouvida pelo “DN/Dinheiro Vivo” no final de fevereiro, “que sentido faz precipitar a venda do Novo Banco quando existem problemas identificados no mercado, que afetam um dos interessados na operação? Não vale a pena estabelecer regras e prazos que impeçam a aproximação de investidores.”

O BPI tem até 10 de abril para reduzir a exposição a Angola, que é como quem diz resolver o impasse em que caiu a sua estrutura acionista: o CaixaBank detém 44% do capital mas não pode votar com mais de 20% dadas as limitações previstas nos estatutos do BPI algo que, na prática, coloca o grupo catalão com o mesmo poder de Isabel dos Santos, que com uma participação inferior ao CaixaBank tem o mesmo peso numa votação.

Considerando que cada um destes acionistas tem uma visão diferente para a exposição do BPI a Angola, a solução terá que passar por uma redefinição acionista: os catalães e a empresária angolana têm estado nos últimos dias em negociações para a venda da participação da segunda aos primeiros. Fernando Ulrich, presidente do BPI, já assumiu que está interessado no Novo Banco, tal como o CaixaBank também está, desde que através de um BPI que controle inteiramente.

Ativos à venda

Eduardo Stock da Cunha, líder do Novo Banco, assumiu na apresentação de resultados que o futuro do banco iria ser diferente do passado: rasgar com as práticas do BES e focar na atividade bancária doméstica, libertando a entidade de vários ativos não estratégicos deixados por Ricardo Salgado.

A miríade de participações do Novo Banco consideradas não essenciais – imobiliário, seguros, gestão de ativos – encontram-se neste momento em fase de avaliação. O plano de reestruturação fechado com a Comissão Europeia prevê a criação de um “side bank” a partir destes ativos do Novo Banco – para onde a instituição transfira tudo o que são participações não financeiras – e a venda da maioria destes ativos não estratégicos. Contudo, e caso surja um interessado que deseje o Novo Banco e também este “side bank”, ou parte dele, tal também será possível desde que aumente o preço a pagar.

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