Superbanco mau

Novo banco é o que tem mais malparado. Banco mau pode ajudar na venda

Stock da Cunha foi o escolhido pelo Banco de Portugal para presidir ao Novo Banco
Stock da Cunha foi o escolhido pelo Banco de Portugal para presidir ao Novo Banco

Superbanco que assuma malparado poderá ter de receber garantia do Estado. Analistas aplaudem ideia, mas temem custos.

O Novo Banco é a instituição bancária que mais tem a ganhar com a criação de um superbanco mau. No limite, criar uma instituição que junte todos os empréstimos de má qualidade da banca portuguesa poderá ajudar a acelerar a venda do banco liderado por Stock da Cunha, tornando-o mais atrativo para os investidores.

Para além disso, o nascimento de um superbanco mau poderá vir a ser mais um empurrão à concessão de crédito. A ideia é defendida pelo analista João Pereira Leite, diretor de investimentos do banco Carregosa.

A explicação é simples: depois da resolução do BES, o Novo Banco continua a ser a instituição com maior volume de malparado. Em dezembro de 2015, os créditos vencidos há mais de 90 dias representavam 14,5% do total de empréstimos concedidos pelo Novo Banco, dados do Relatório e Contas. Além disto, ; 22,8% dos seus empréstimos estavam em risco de vencerem.

“Admito que possa ajudar a tornar o Novo Banco mais atrativo para eventuais compradores e aliviar os encargos do Fundo de Resolução que, no fundo, é todo o sector bancário”, disse João Pereira Leite. O mesmo referiu Pedro Oliveira, da GoBulling, ao Negócios: “Poderá aumentar o potencial de venda do Novo Banco.”

Um problema geral

O problema do incumprimento é generalizado na banca portuguesa. “Apesar da recente melhoria na qualidade dos créditos das instituições portuguesas, em algumas delas os créditos vencidos assumem percentagens superiores a 10%”, diz Pedro Ricardo Santos da ; XTB.

Em fevereiro, o Banco de Portugal registou um total de 18 mil milhões de euros em créditos malparados. Estima-se ainda que, desde o início da crise, os bancos portugueses tenham gasto 40 mil milhões em imparidades, lucros colocados de parte para enfrentar os incumprimentos.

António Costa, primeiro-ministro, quer, por isso, “encontrar um veículo de resolução para o crédito malparado, de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta uma participação mais activa no financiamento às empresas”.

Para já, ainda não são conhecidos os contornos que a instituição poderá ter (o já referido superbanco mau) mas todos os círculos admitem que o tema merece atenção – até o Bloco de Esquerda e o PCP que levantam dúvidas a este mecanismo -, para que se libertem capitais para a concessão de crédito.

“Percebe-se evidente a necessidade de encontrar formas de capitalizar os bancos”, afirma Filipe Garcia, da Informação em Mercados Financeiros (IMF), lembrando que “a utilização de um veículo agregador do malparado pode ser interessante se ajudar a reconhecer o verdadeiro montante em causa e a gerir esses créditos de forma conjunta, permitindo uma recuperação ou uma venda mais vantajosa”.

“A criação do bad bank, à semelhança de outros países europeus, permitiria libertar os balanços dos bancos nacionais do crédito mal-parado, abrindo a porta ao financiamento das empresas”, acrescenta Pedro Ricardo Santos.

A Associação Portuguesa de Banca e o Banco de Portugal também apoiam o mecanismo. Na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, Carlos Costa disse que a constituição de um veículo que fique com os créditos vencidos e o imobiliário dos bancos é a “solução” que a banca portuguesa necessita. Já a APB, que em 2011 chegou a sugerir um veículo deste género, vê “naturalmente com agrado” esta sugestão do primeiro-ministro.

Quem paga?

Sem mecanismo desenhado, os analistas têm apenas uma dúvida: quem vai dar garantias?

“Desvantagens não vejo nenhuma, vejo é dificuldades”, diz João Pereira Leite. O diretor de investimento do Banco Carregosa lembra que a capitalização e gestão desta entidade, bem como a recuperação dos créditos, continuam a ser o maior entrave à sua criação. Pedro Ricardo Santos repete: O envolvimento do Estado português passará, com elevada probabilidade, pela concessão de garantias, de forma a tornar os créditos mais atractivos para o investidor. Nesse caso, havendo incumprimento, o contribuinte pode ser chamado, mais uma vez, a pagar”.

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