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Novo Banco prossegue dieta: seis ativos vendidos e quase 370 milhões encaixados

Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral (D) acompanhado pelo Presidente do Novo Banco, António Ramalho. (Foto: LUÍS FORRA/LUSA)
Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral (D) acompanhado pelo Presidente do Novo Banco, António Ramalho. (Foto: LUÍS FORRA/LUSA)

Novo Banco fechou venda da ES Contact Center, elevando para seis os "ativos não estratégicos" de que já se libertou este ano

O Novo Banco anunciou esta tarde ter vendido mais uma das inúmeras participações que herdou do Grupo Espírito Santo (BES), elevando para seis as alienações já fechadas este ano. Agora foi a vez dos 41,66% detidos na ES Contact Center.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários (CMVM), o grupo agora presidido por António Ramalho informa que “alienou a sua participação acionista de 41,66% na ES Contact Center – Gestão de Call Centers SA, à Armatis – LC Ibéria”, entidade com sede em Portugal, realça o banco.

Mas esta transação ao contrário de outras vendas não teve qualquer impacto ao nível dos rácios de capital exigidos ao Novo Banco, com a própria instituição a reconhecer o “impacto neutral” da venda ao nível do “Common Equity Tier I do Novo Banco”. O comunicado, aliás, não atribui qualquer valor ao negócio.

Mesmo sem impacto nos rácios ou sem referência a valores do negócio, o Novo Banco justifica esta alienação com a mesma razão com que justificou as vendas anteriores, ou seja que “representa mais um importante passo no processo de desinvestimento de ativos não estratégicos do Novo Banco, prosseguindo este a sua estratégia de foco no negócio bancário”.

Os outros cinco “importantes passos”

Tendo como objetivo atingir os 700 milhões de euros em vendas de ativos não estratégicos este ano, incluindo 500 milhões só através da venda de imóveis, o Novo Banco já fechou e comunicou um total de seis operações desta natureza desde o início do ano.

Além da venda da ES Contact Center hoje comunicada, juntam-se ainda as vendas das participações que o grupo contava na Tertir, Ascendi, ES Ventures, Novo Banco Ásia e Empark como os “passos importantes de desinvestimento” já dados este ano. Nem todos os negócios tiveram impactos positivos nos rácios do Novo Banco e nem todos viram os seus valores divulgados publicamente.

Ainda em fevereiro, o Novo Banco comunicou a venda da sua participação na Tertir, uma operação que já estava fechada no final de 2015 mas que só obteve parecer positivo pelos reguladores já no corrente ano. Esta transação terá permitido um encaixe de 60 milhões de euros ao banco.

Depois da Tertir, seguiu-se a venda de um conjunto de ativos da Ascendi aos franceses da Ardian, operação fechada já no início de agosto, e que, do conjunto de alienações aqui reportado, terá sido a mais significativa em termos de valor: com 40% do capital da Ascendi, o banco poderá ter encaixado 240 milhões dos 600 milhões em que a transação foi acordada.

No dia seguinte à comunicação da venda da Ascendi, o Novo Banco voltou à carga, agora para anunciar a venda do Novo Banco Ásia à Well Link Group Holdings Limited, sociedade sedeada em Hong Kong e dedicada aos mercados financeiros e gestão de ativos. O negócio foi oficializado sem serem referidos quaisquer valores envolvidos, com o banco a assumir apenas que a operação “terá um impacto positivo no rácio de capital”.

E depois da Ascendi e do Novo Banco Ásia, não se deixou duas sem três: no dia seguinte ao anúncio de venda do banco asiático e dois dias depois da venda da Ascendi, o Novo Banco comunicou a saída do segmento do capital de risco, tendo decidido vender a participação na ES Ventures à Sonae por valores não divulgados.

Cenário diferente verificou-se no final de setembro, quando o Novo Banco informou o mercado da venda da sua posição de 22,1% na Empark – Aparcamientos y Servicios à Parkinvest BV, tendo recebido então 69 milhões de euros.

Entre os valores confirmados oficialmente, os preços atribuídos a algumas vendas e as transações cujo preço não foi revelado – e que até podem ser inexistentes ou de impacto negativo -, chega-se a 369 milhões de euros de encaixe potencial do Novo Banco com estas vendas – 60 milhões da Tertir, 240 milhões da Ascendi e 69 milhões com a Empark. Tudo valores que terão servido para reforçar os rácios prudenciais do grupo, conforme a instituição explicou em todas estas transações.

De acordo com os resultados semestrais do Novo Banco, o rácio de capital CETI da instituição caiu de 13,5% para 12% entre dezembro de 2015 e junho de 2016. No entanto, realce-se que a maioria destes negócios foram fechados apenas no segundo semestre do corrente ano.

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