Novo Banco

PS espera que Banco de Portugal trave bónus a administradores do Novo Banco

Os deputados da Assembleia da República votam durante o debate sobre o pedido de autorização da declaração do estado de emergência, aprovação das medidas excecionais e temporárias de resposta à situação epidemiológica provocada pelo Covid-19 e votações regimentais no final do debate, na Assembleia da República, em Lisboa, 18 de março de 2020. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
Os deputados da Assembleia da República votam durante o debate sobre o pedido de autorização da declaração do estado de emergência, aprovação das medidas excecionais e temporárias de resposta à situação epidemiológica provocada pelo Covid-19 e votações regimentais no final do debate, na Assembleia da República, em Lisboa, 18 de março de 2020. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Em causa prémios no montante de dois milhões de euros que o PS considera inaceitáveis. Deputados querem dar autorização antes de novas injeções.

O Partido Socialista espera que o Banco de Portugal possa travar a atribuição de prémios aos administradores do Novo Banco.

“O PS considera inaceitável a atribuição de prémio de gestão aos seus administradores”, começou por dizer o deputado João Paulo Correia. O parlamentar indicou “esperar que o Banco de Portugal, nas suas funções de supervisor e regulador, de forma isolada ou até em conjunto com o Banco Central Europeu, seja possível bloquear a atribuição desses prémios de gestão aos administradores do Novo Banco”, afirmou no debate de atualidade esta quarta-feira, no Parlamento.

Já durante a manhã desta quarta-feira, o ministro das Finanças considerou que ainda havia tempo para dar um passo atrás sobre estes prémios devidos em 2021. “Consideraria que ainda vamos a tempo de ver corrigida esta situação nos órgãos decisórios do Novo Banco. E que haja aqui uma empatia, ou pelo menos um entendimento, sobre qual é o enquadramento em que estas decisões são tomadas hoje no Novo Banco”, afirmou Mário Centeno.

Novas injeções só com autorização da AR
O PSD anunciou que irá apresentar uma iniciativa para que novas injeções no Novo Banco só possam ocorrer depois de informado o parlamento, sob protestos do BE de que os sociais-democratas ‘chumbaram’ no passado diploma idêntico do partido.

No arranque do debate de atualidade sobre o Novo Banco, pedido por PSD, BE e CDS-PP, a continuidade do ministro das Finanças no Governo foi questionada e apontadas contradições entre o discurso de Mário Centeno e o do primeiro-ministro, bem como com o do Presidente da República.

“Ou estamos a assistir a uma remodelação em direto e o ministro das Finanças sairá do governo porque considera o seu primeiro-ministro ‘irresponsável’. Ou já assistimos a uma remodelação e o ministro das Finanças passou a dirigir o governo. O que o governo não nos pode dizer é que se compromete a não pagar sem auditoria e que paga sem auditoria, ou que a auditoria é indispensável, mas não é necessária”, acusou a deputada do BE Mariana Mortágua.

Pela bancada do PSD, o deputado Duarte Pacheco defendeu que “o primeiro-ministro concorda com o princípio” de que transferências de montantes elevados como a que foi feita para o Fundo de Resolução destinada a recapitalizar o Novo Banco – 850 milhões de euros – deveriam ser precedidas de “uma auditoria, de uma análise, de um estudo”.

“O primeiro-ministro concorda com este princípio e por isso deu uma garantia a este parlamento, o Presidente da República concorda com este princípio, não é indiferente o Estado cumprir os seus compromissos antes ou depois de saber o que se passou”, defendeu.

“Vamos apresentar uma iniciativa para definir que novas transferências só poderão ocorrer após a Assembleia da República ser informada dos termos e das razões para o efeito”, anunciou.

Pela bancada do BE, Mariana Mortágua apontou que o que o PSD vem agora defender foi “exatamente a proposta” que o Bloco apresentou em janeiro, no âmbito do Orçamento do Estado, e que os sociais-democratas chumbaram – uma afirmação que alguns deputados do PSD rejeitaram, num aparte.

“Se tivesse sido aprovada em janeiro, quando a propusemos, esta medida teria impedido a transferência deste 850 milhões. Esperamos que, desta vez, a indignação do PSD contribua para a aprovação destas iniciativas”, afirmou a deputada do BE, que já tinha anunciado que iria reapresentar o diploma no parlamento.

Com Lusa

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