Banco de Portugal

Novo Banco. Quem é o fundo Lone Star?

Private equity vai "aprofundar relações" para comprar o Novo Banco. Processo ainda não está fechado.

É o candidato mais bem posicionado vai agora “aprofundar relações” para comprar o Novo Banco. O fundo norte-americano Lone Star não é estreante em Portugal embora esta seja a primeira incursão no setor bancário em território nacional.

O Lone Star é um fundo private equity, ou seja, um fundo que investe capital em empresas onde considera que existe espaço para valorização – tradicionalmente as posições dos private equity são vendidas entre cinco a sete anos depois, com mais-valias para o fundo.

Em Portugal, o Lone Star já fez investimentos em quatro centros comerciais da marca Dolce Vita, herdados da espanhola Chamartín, de quem era um dos maiores credores. O Dolce Vita Porto, o Dolce Vita Douro, o Dolce Vita Coimbra foram entretanto vendidos ao Deutsche Asset & Wealth Management, do Deutsche Bank. Assim, o Lone Star ficou apenas com o Dolce Vita Monumental, em Lisboa.

O fundo tem a concessão da Marina de Vilamoura, no Algarve.

Fundado em 1995, o Lone Star está organizado em 17 private equities com um capital agregado de mais de 70 mil milhões de dólares. Começou a atividade nos Estados Unidos e no Canadá e segiu depois para a Europa e Ásia. Em 2005 começou a intensificar os investimentos na zona euro, devido à consolidação das instituições financeiras, segundo a informação divulgada no site do private equity.

A proposta do Lone Star consiste numa oferta de 750 milhões pelo Novo Banco e admite uma injeção de mais 750 milhões, segundo avançou recentemente o Negócios. Em cima da mesa cestá a possibilidade de ser criado um ‘ste bank’ para parquear ativos problemáticos. Contudo, o Lone Star exige contudo uma garantia bancária pública, embora o ministro das Finanças, Mário Centeno, já tenha dito em entrevista ao DN/TSF que não haverá risco para os contribuintes não excluindo, contudo, a hipótese de uma nacionalização, tal como o primeiro-ministro António Costa já tinha feito, em maio.

Nos últimos dias as negociações intensificaram-se, com o fundo Apollo a tentar melhorar a proposta e a família Violas Ferreira, acionista do BPI, a admitir juntar-se aos norte-americanos para dar uma vertente nacional à oferta. De fora ficaram também os chineses da Misheng, que participaram na operação em mercado, para ficar com cerca de 50% do banco, por não terem conseguido apresentar as garantias bancárias necessárias.

Contudo, essas propostas ainda podem ser melhoradas, segundo o comunicado ontem divulgado, mesmo com a recomendação do Banco de Portugal pela proposta do Lone Star. Ainda faltam alguns passos para o processo ser concluído. O Governo tem até agosto para fechar o dossier.

Esta é a segunda tentativa de venda do banco de transição, que resultou da resolução do BES e recebeu uma injeção do Fundo de Resolução de 4,9 mil milhões de euros. A primeira tentativa de venda, em 2015, foi cancelada por as propostas não terem atrativas o suficiente.

O banco, atualmente liderado por António Ramalho, tem empreendido um processo de reestruturação que já levou à saída de cerca de mil trabalhadores.

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