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Novo Banco reduz prejuízos para 231 milhões de euros

António Ramalho, presidente do Novo Banco. Fotografia: Diana Quintela/Global Imagens
António Ramalho, presidente do Novo Banco. Fotografia: Diana Quintela/Global Imagens

António Ramalho salienta que o desempenho está em linha com o plano de negócios. Mas adverte que reestruturação vai levar mais tempo e dinheiro.

O Novo Banco teve um prejuízo de 231,2 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano. Face ao mesmo período do ano anterior, a instituição liderada por António Ramalho diminuiu as perdas em 20%. Tinha registado um resultado negativo de 290,3 milhões de euros na primeira metade de 2017.

Apesar da redução do prejuízo, o Novo Banco não deu continuidade ao lucro conseguido no início do ano. Tinha tido um resultado de 60,9 milhões de euros nos primeiros três meses do ano, o que indica que no segundo trimestre a operação do banco resultou numa perda de 292 milhões de euros.

António Ramalho considera, no comunicado divulgado ao mercado com os resultados, que “a performance do Banco no primeiro semestre está em linha com os Planos de Negócios já apresentado aos diversos stakeholders”. Mas salienta que “a reestruturação do banco ainda vai exigir tempo e dinheiro”.

O Novo Banco explica que houve dois fatores que pioraram ainda mais as contas. Um tem a ver com a emissão de dívida subordinada feita no final de junho.“Esta emissão de obrigações foi efetuada em conjunto com ofertas de aquisição e de troca que permitiram recomprar e extinguir 1.036 milhões de euros em valor nominal, isto é cerca de 30% das obrigações seniores que estavam emitidas no mercado, o que contribui para a melhoria futura da margem financeira. Estas ofertas de aquisição e de troca tiveram contudo um efeito negativo nos resultados do período no montante de -79 milhões de euros”, explica o banco.

Apesar desse custo, o Novo Banco refere que essa operação “permitiu o aumento do rácio provisório de capital total para 14,7% no final do semestre”. Há um ano o rácio de capital era de 11,1%.

Além daquele impacto de 79 milhões, o banco liderado por António Ramalho teve também um efeito negativo de 31 milhões devido ao “efeito negativo da anulação de prejuízos fiscais reportáveis que estavam registados em ativos por impostos diferidos (AIDs), que de acordo com a revisão do plano de negócios não preenchem as condições para serem considerados no ativo do Banco”.

O Novo Banco detalha que sem estes dois efeitos, “o Grupo teria apresentado um resultado negativo de 121,2 milhões de euro”.

Menos custos e imparidades. Produto comercial estagna e margem desce

Apesar dos prejuízos, o Novo Banco baixou os custos com imparidades e provisões e também as despesas operacionais. As perdas assumidas com crédito e outros ativos baixaram em mais de 40% no primeiro semestre face ao mesmo período de 2017. Caíram de 413,1 milhões para 248,4 milhões.

Já os custos operacionais desceram 7,9%, baixando de 265,2 milhões para 244,2 milhões. O banco explica essa evolução com “as melhorias concretizadas ao nível da simplificação dos processos e da otimização das estruturas com a consequente redução de balcões e de colaboradores”.

Apesar da melhoria nas provisões e nas imparidades, o produto bancário comercial (as receitas que o banco gera no seu negócio excluindo operações financeiras) abrandou 1,6% para 361,1 milhões de euros. Muito devido à descida da margem financeira (a diferença entre o que o banco recebe e o que paga em juros). Esse indicador desceu 4,1% para 202 milhões.

“O desempenho do resultado financeiro foi influenciado pelo facto das taxas de juro de referência continuarem em terreno negativo e pelo elevado custo dos passivos titulados”, refere o Novo Banco.

Incluindo o resultado em operações financeiras, o produto bancário caiu 20,8% para 345,8 milhões, devido à operação de recompra de dívida. O resultado antes de impostos melhorou em 40%, passando de uma perda de 241,6 milhões para 146,8 milhões. E o resultado operacional comercial (sem resultados em operações financeiras) aumentou 14,8% para 116,9 milhões, destaca o banco.

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