Novo Banco

Novo Banco. Riscos e indefinição nas obrigações leva Moody’s a prolongar revisão

Fotografia: Alvaro Isidoro/Global Imagens
Fotografia: Alvaro Isidoro/Global Imagens

Se futura troca de obrigações do Novo Banco falhar objetivos é "muito provável" que Fundo de Resolução avance para resolução ou liquidação de ex-BES

A Moody’s anunciou esta segunda-feira ter prolongado o período para a reavaliação em baixa do rating do Novo Banco, reavaliação iniciada já em abril. A culpa do adiamento reside no facto da venda do ex-BES ao Lone Star exigir a imposição de perdas de pelo menos 500 milhões de euros aos obrigacionistas do banco. Uma operação denominada de liability management exercise, ou LME, cujos contornos continuam por ser explicados.

“A extensão do período de revisão reflete o facto do LME do Novo Banco aos obrigacionistas ainda estar a ser definido e implementado. A Moody’s espera concluir a revisão dos ratings do Novo Banco assim que tiver uma maior visão sobre o LME e a sua conclusão expectável, uma exigência que é preciso cumprir antes do Lone Star concluir a aquisição de uma participação maioritária no Novo Banco”, explica a agência de rating em comunicado.

Estando a venda do ex-BES ao Lone Star condicionada por esta operação e, logo também a injeção de mil milhões de euros com que este fundo abutre se comprometeu no Novo Banco, a Moody’s salienta que caso os obrigacionistas da instituição não sejam convencidos em aceitar a operação e as perdas que as autoridades lhes pedem, o risco do NB colapsar aumenta. Mas este risco é precisamente aquilo que poderá ser usado como argumento último para convencer os obrigacionistas a aceitar o LME: caso não o façam, podem perder mais ainda.

“Se o LME não tiver sucesso, há um risco acrescido de se avançar para uma resolução ou liquidação do banco com as consequentes perdas para os credores”, refere a Moody’s. “Esta oferta será uma troca difícil [distressed exchange] mas que será feita para evitar a liquidação do Novo Banco e fechar o processo de venda”, sublinha.

Ler também: Novo Banco está assinado. Mas está mesmo vendido?

A troca de obrigações

Conforme explica a agência de rating, em causa estão três mil milhões de euros em obrigações sénior do Novo Banco – valor apurado no final de 2016.

Estas obrigações, em conjunto com os prejuízos crónicos e o elevado stock de créditos problemáticos que pesam nas contas do NB, sintetiza a Moody’s,”serão parcialmente mitigadas pela injeção de capital do Lone Star” assim como pela espécie de garantia concedida pelos contribuintes ao ex-BES. “Contudo, estas medidas não são suficientes para evitar que seja necessário arrecadar mais 500 milhões de euros em CET1 [nível de capital em reserva e sem obrigações detido pelo banco] e logo o incumprimento do banco com a sua dívida sénior.”

Tendo estas necessidades em atenção, e sem ter ainda uma definição detalhada do alcance do LME com que a administração do Novo Banco tentará avançar, a Moody’s reporta-se à “informação mais atualizada disponível”, os tais 3000 milhões de euros em dívida sénior, para “estimar as perdas para cada um destes investidores de 10% a 20%”, totalizando entre 300 a 600 milhões. Contudo, alertam: “Caso o LME avance focado apenas em parte destas obrigações, as perdas por investidor poderão ser maiores.”

É esta incerteza, no fundo, que impede que o rating do Novo Banco seja já no imediato revisto em baixa. É que sem informações sobre a profundidade das perdas que o ex-BES vai pedir aos investidores – ou coagir, caso a bandeira de maiores perdas com a liquidação lhes for acenada -, a Moody’s não consegue definir até que ponto irá baixar o rating do Novo Banco, sendo que caso a proposta não convença os investidores, o aumento do risco de liquidação ou resolução levará o rating a um patamar ainda mais baixo. Assim, prolonga-se o prazo e espera-se para ver.

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