Resolução

Novo Banco transferiu dinheiro por engano para ex-clientes

Erro informático do banco liderado por Stock da Cunha aconteceu a 23 de março

Um erro informático terá levado o Novo Banco a transferir, no dia 23 de março, milhares de euros para clientes que fecharam as contas na instituição depois da resolução do Banco Espírito Santo, abrindo conta noutros bancos. O alerta foi dado a 1 de abril – terá sido uma repetição de movimentos feitos em 2014 -, mas o valor exato não é conhecido. O que se sabe é que, caso os ex-clientes não deem autorização para reverter a transferência, a instituição pode ter de recorrer aos tribunais para recuperar o dinheiro.

A Caixa Geral de Depósitos confirmou à agência Lusa a receção de montantes em contas de clientes do banco do Estado e em outras duas instituições bancárias, tendo ainda adiantado que alertou os seus clientes para o erro informático no dia 4 de abril. “É verdade, o Novo Banco transferiu o dinheiro por engano. Foi claramente um erro”, disse à Lusa fonte oficial da Caixa, sem precisar, contudo, o número de clientes seus que receberam transferências nem os montantes envolvidos.

Segundo o jornal Público, que adiantou a notícia ontem à noite, os valores depositados chegarão a 20 mil euros. E numa única agência da Caixa Geral de Depósitos, em Santa Maria da Feira, terão entrado nove transferências, com montantes entre os dois mil e os 20 mil euros.

No primeiro alerta feito aos clientes, depois de contactado pelo Novo Banco, o banco do Estado pediu-lhes que se dirigissem aos balcões da CGD para autorizar a devolução do dinheiro ao Novo Banco – que não pode ser feita automaticamente. Procedimento que terá sido repetido pelos outros dois bancos em que ex-clientes do BES têm contas onde receberam indevidamente dinheiro.

Os ex-clientes do BES têm de aceitar a anulação da transferência, explica o Público, caso contrário o Novo Banco só poderá recuperar o dinheiro recorrendo aos tribunais. Ou seja, os clientes podem não aceitar devolver o dinheiro transferido, tendo nesse caso de justificar por escrito a sua origem. Nos casos em que isso acontecer, o Novo Banco só poderá recorrer aos tribunais para recuperar o valor.

O caso está a ser já acompanhado pelo regulador do sistema financeiro, o Banco de Portugal, que admite a possibilidade de o Novo Banco não conseguir recuperar a totalidade dos fundos através do sistema bancário, apesar de a regulação das transferências – sistema conhecido como SEPA – prever pedidos de devolução do banco ordenante.

Não foi possível contactar o Novo Banco para esclarecer os contornos da situação.

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